Presidente da Bolívia é expulso do partido de Evo Morales

Luis Arce não compareceu ao congresso de seu partido e foi expulso da legenda. Ele estava em disputa com o ex-presidente Evo Morales dentro da sigla | Foto: Reprodução/ Wikipedia

O presidente da BolíviaLuis Arce, foi expulso do partido Movimento ao Socialismo (MAS), com o qual venceu as eleições de 2020.

De acordo com a sigla, ele se “auto-expulsou” por não comparecer ao congresso da legenda, realizado em 3 e 4 de outubro, em Cochabamba.

Outros 28 militantes do MAS leais a Arce foram desligados do partido, incluindo o vice-presidente David Coquehuanca.

Congresso

No evento, o ex-presidente do país Evo Morales, antigo aliado e agora adversário de Arce, foi confirmado como líder do MAS e candidato nas primárias do partido, que serão disputadas em dezembro. A Bolívia realiza eleições presidenciais em 2025.

Em seu perfil na plataforma X (antigo Twitter), Morales lamentou a decisão de “alguns irmãos que se excluíram e não compareceram ao histórico” congresso.

“Aqueles que não aceitam os estatutos, não contribuem ou permitem contribuições e não respeitam a convocação deste congresso legal e legitimamente supervisionado pelo Tribunal Supremo Eleitoral, não podem ser chamados de militantes”, comentou o ex-presidente.

Arce já havia se afastado poucos dias antes do congresso da sigla, alegando que as organizações sociais não estavam representadas.

“Não podemos ir a uma casa onde não vão estar seus verdadeiros donos, as organizações sociais”, ressaltou o atual presidente boliviano.

Durante seu congresso, o MAS alterou os estatutos para que apenas militantes com dez anos de partido possam se candidatar. Arce não cumpre essa exigência. A justiça eleitoral deve ratificar ou invalidar as decisões do partido.

Rivalidade

Morales, que governou o país entre 2006 e 2019, estava disputando com Arce a liderança do partido.

A rivalidade entre os dois acentuou a divisão do MAS no último ano, depois de críticas de Morales ao governo por sua suposta traição, corrupção e tolerância com o narcotráfico.

Depois de uma tentativa frustrada de se reeleger em 2019, quando completou 14 anos de mandato, Morales impulsionou a chegada ao poder de Arce, que ainda não anunciou se tentará a reeleição.

Arce e Morales se distanciaram ao longo do tempo. O ex-presidente e os ministros de Arce continuam trocando ataques.

Ao anunciar que pretendia se candidatar à presidência, Morales falou que o objetivo da atual gestão é entregar a Bolívia aos Estados Unidos.

Desaprovação na Bolívia

Sem a origem indígena e o carisma do ex-presidente, Arce conseguiu fortalecer sua liderança entre as bases sociais e sindicais por meio da concessão de incentivos.

De acordo com uma pesquisa da empresa privada Diagnosis, a desaprovação do presidente chega a 50%.

Mesmo assim, no partido é tido como certo que Arce tentará a reeleição por conta da oposição enfraquecida e a rejeição que Morales desperta em setores econômicos.

Fonte: revistaoeste.com