Profissionais da educação aprovam cultura maker nas escolas

Assim como a cultura maker se popularizou no mercado de trabalho na última década, o ensino maker também tem sido bastante valorizado em sala de aula.
“São dois fenômenos que foram se desenvolvendo paralelamente, em áreas isoladas — na tecnologia e na educação —, mas que focam muito na autonomia de quem participa de um processo criativo, de aprendizado”, explica Bruno Ferrari, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento do Nave à Vela, empresa educacional especializada em criar soluções maker para desafios enfrentados nas escolas.
Para avaliar como a metodologia tem sido percebida entre profissionais da educação, a Nave à Vela realizou a 1ª Pesquisa Nacional do Impacto do Ensino Maker na Educação. O questionário foi respondido em agosto de 2020 por mais de 200 representantes de escolas públicas e particulares de todo o país, das quais 56,8% já incluíram a metodologia no currículo escolar.

Percepção
Entre as principais razões pela adesão desse tipo de ensino está a percepção, tida por 65,8% dos respondentes, de que a cultura maker pode melhorar a capacidade socioeducacional dos alunos, ajudando-os a gerenciar emoções, alcançar objetivos, demonstrar empatia e tomar decisões de maneira responsável. Outros motivos pelos quais as escolas têm optado pela metodologia são o valor agregado ao que a instituição pode oferecer ao mercado educacional (25,6%) e o acompanhamento de tendências da área (8,5%).
Para Ferrari, a metodologia realmente pode ser um meio fundamental para criar uma geração mais autônoma, com melhores habilidades sociais e que aprenda a partir da experimentação, por tentativa e erro.
“A escola ainda tem uma resistência muito grande em admitir o erro como parte do processo”, afirma. “O que o ensino maker tem a propor aos professores e alunos é que, para além da robótica e da mecânica, façamos mais trocas de informação e inovação no processo de ensino-aprendizagem”.

Benefícios
Entre os benefícios que a metodologia tem trazido para os estudantes, o maior engajamento por parte dos alunos é notado por 50,4% dos educadores que participaram da pesquisa. A melhora na capacidade socioeducacional e no desempenho ao executar as atividades é observada em sala de aula, respectivamente, por 27,4% e 22,2% dos professores.
Já entre as vantagens para a escola como um todo, 70,9% dos educadores destacam, em primeiro lugar, a melhora no desempenho dos estudantes, seguido pelo engajamento em aulas on-line durante a pandemia (16,2%) e o engajamento dos próprios professores (12,8%). E quando o assunto é o envolvimento da turma, 43% dos educadores avaliam que a participação dos estudantes cresceu consideravelmente e 23,9% afirmam que aumentou muito. Enquanto isso, 29,1% dizem que o engajamento mudou pouco e 3,4% não notaram diferença no nível de participação dos alunos.

Desafios na implementação
Segundo a pesquisa, apenas 9,4% das escolas estão adotando o ensino maker durante o isolamento social. Entre as instituições que já aderiram à metodologia, 85,5% afirmam que as chances de continuar oferecendo atividades orientadas pelo ensino maker no próximo ano são altas. Já entre as que ainda não implementaram o método, apenas 13,5% pretendem colocá-lo em prática em 2021.
De acordo com 40,4% dos entrevistados, a probabilidade de aderir ao ensino maker no ano que vem é baixa e para 36%, média.
Por mais que boa parte (48,3%) dessas escolas reconheçam as vantagens da metodologia, desafios práticos e financeiros ainda são empecilhos para implementá-la. Entre eles, o preço, o desconhecimento dos benefícios e a ideia de que a inserção do método maker seja algo difícil de ser feito.

“O maior problema da educação é a tradição”

“Ainda há uma percepção muito grande de que, para fazer um ensino maker, a escola precisa ter um laboratório e inúmeros recursos de robótica para ensinar os alunos”, diz Ferrari. Na verdade, a metodologia prima por despertar nos alunos o sentimento de que são capazes de criar soluções e colaborar uns com os outros. E isso pode ser implementado na educação independentemente dos recursos, de acordo com o especialista.
“Temos um caso de uma escola que, por conta do distanciamento social e das aulas on-line, propôs que os alunos fizessem pontes de papel para estudar a resistência de construções”, conta. “Com um material tão simples, eles conseguiram criar pontes impressionantemente fortes e compartilharam os resultados com os colegas por fotos e vídeos”, completa.

O que é Movimento Maker?

O Movimento Maker é um termo usado para descrever a cultura do “faça você mesmo”. Ou seja, a ideia é de que qualquer pessoa – independente da sua idade ou experiência – possa colocar a mão na massa, desenvolvendo com autonomia os mais diversos projetos e objetos.
É um exercício de criatividade e de protagonismo – um conceito bastante explorado pela Base Nacional Comum Curricular. Não é à toa que o Movimento Maker é uma das grandes tendências na educação.
No começo pode parecer complicado desenvolver essa cultura em sua escola. Mas tenho uma boa notícia: qualquer um pode fazer parte do Movimento Maker! E para isso não é preciso ter um laboratório em sua escola. Quer saber como a cultura do “faça você mesmo” pode beneficiar a sua prática em sala de aula e os seus alunos? Descubra no texto de hoje!

Vantagens do Movimento Maker?
Assim como qualquer nova tecnologia ou solução didática, a cultura Maker também não é capaz de trazer resultados sozinha. Ela precisa ser integrada de maneira relevante ao currículo, ao planejamento e à prática pedagógica.
Quando isso acontece, ela pode trazer diversas vantagens para o processo de ensino e aprendizagem. Conheça algumas delas!
• Aumenta o engajamento dos alunos em relação ao conteúdo didático.
• Estimula a curiosidade e a busca por conhecimento de forma autônoma – trabalha o conceito de protagonismo.
• Promove a interação entre os alunos por meio do trabalho em equipe e da co-criação.
• Trabalha com o desenvolvimento das competências socioemocionais.
• Desenvolve o pensamento lógico e científico.
• Trabalha a análise e a resolução de problemas de forma crítica e criativa.
• Estimula a interação dos alunos com o ambiente e com a sociedade.