Ribeirão Preto coleta 17 mil toneladas de lixo por mês e só destina 1% à reciclagem

Cooperativa diz que á possível dobrar triagem do material, mas quantidade coletada é baixa. Prefeitura alega que ampliará coleta seletiva a partir de outubro, mas não informa detalhes.

Apenas 1% do lixo coletado em Ribeirão Preto (SP) no ano passado foi destinado à reciclagem. Isso significa que do total de 17 mil toneladas de resíduos gerados por mês, só 115 chegaram à cooperativa “Mãos Dadas”, a única que recebe esse material e faz a destinação correta na cidade.

A Coordenadoria de Limpeza Urbana informou que realiza um projeto piloto para ampliação da coleta seletiva em Ribeirão a partir de outubro. O cronograma dos bairros contemplados e os horários de recolhimento dos resíduos serão divulgados em breve.

“Esse material chega à cooperativa e a gente faz a triagem, a seleção do que é reciclável: papelão, papel, plástico, vidro e outros materiais. Depois, damos o encaminhamento correto”, explica o diretor financeiro da cooperativa, Carlos Roberto Mendes.

Atualmente, a “Mãos Dadas” conta com 37 colaboradores. Mendes explica que os recicláveis são coletados de duas formas: um caminhão da Prefeitura recolhe itens de casa em casa e a cooperativa faz a coleta em grandes geradores, como condomínios e empresas.

Após a separação, os materiais são destinados a duas empresas de sucatas e a uma produtora de vidro. Segundo o diretor, a cooperativa tem condições de dobrar o trabalho de seleção, mas isso não acontece porque a quantidade coletada feita pela Prefeitura é baixa.

“Ele é comercializado e gera renda para a cooperativa. Entre esse material que chega ainda tem uma porcentagem que é de rejeito. Mas, a gente poderia ampliar em quase 100 toneladas. Teríamos condições de fazer essa triagem, esse trabalho de separação”, diz.

Síndico de um edifício na zona sul de Ribeirão que realiza a coleta seletiva do lixo, o professor universitário Thiago Luiz Franzoni afirma que também falta conscientização ambiental aos moradores em relação à destinação correta do lixo.

Inaugurado em 2015, o prédio conta com 120 apartamentos, mas nem todas as famílias participam do projeto de reciclagem, que inclui um recipiente apropriado para destinação do óleo de cozinha, afinal, uma gota pode contaminar até 1 mil litros de água.

“Nem todos têm essa cultura. São poucos que fazem a separação do lixo úmido e do lixo seco”, afirma. “Ainda falta o cumprimento, o entendimento e a sensibilização dos moradores com a preocupação ambiental em relação ao descarte dos resíduos”, completa.

Ecopontos

G1 solicitou entrevista com representante da Coordenadoria de Limpeza Urbana para detalhar o projeto de ampliação da coleta seletiva na cidade, mas a assessoria da Prefeitura informou que, neste momento, o assunto não pode ser divulgado.

Em agosto do ano passado, quando o EPTV 1 exibiu uma reportagem sobre o mesmo tema, a administração municipal já prometia ampliar a coleta seletiva no município com a implantação do projeto “CataSonho”, que até agora não saiu do papel.

Em relação ao recolhimento de entulho, a Prefeitura está licitando a construção de seis ecopontos destinados ao recebimento de resíduos, como entulho, móveis velhos, pneus, restos de madeira e de podas de árvores, além de recicláveis. O projeto está orçado em R$ 2,1 milhões.

No ano passado, as equipes da Coordenadoria de Limpeza Urbana recolheram 47,1 mil toneladas desse tipo de entulho das caçambas sociais que existem atualmente, e também em vias públicas, praças, margens de córregos e rios da cidade.

Os ecopontos substituirão as caçambas sociais e serão instalados nos seguintes endereços:

  1. Avenida Ettore e Aurora Coraucci
  2. Avenida Monteiro Lobato com Rua Arthur Ramos
  3. Rua Guará com Rua Mococa
  4. Rua Poeta Fernando Pessoa com Avenida Alfredo Ravaneli
  5. Rua Odilon Arcêncio com Rua Antonio Ventura Araújo
  6. Avenida Virgílio Soeira com Rua Alexandre Sett

Fonte: g1.globo.com