Setembro Verde conscientiza sobre a importância da doação de órgãos

Doação de órgãos: gesto de amor

Setembro foi escolhido para esta finalidade porque é celebrado no dia 27 o Dia Nacional da Doação de Órgãos e Tecidos

Quando uma vida acaba, nem sempre é colocado um ponto final. A morte de alguém, por mais difícil que seja, muitas vezes é o renascimento para outras pessoas. Pensando nisso, a doação de órgãos se torna um importante gesto de solidariedade e de compaixão com vidas que estão à espera de um transplante.
Justamente por esse motivo, a campanha Setembro Verde que incentiva a doação de órgãos, vem ganhando mais destaque ano após ano em todo o país. Setembro foi escolhido para esta finalidade porque é celebrado no próximo dia 27, o Dia Nacional da Doação de Órgãos e Tecidos.
A data foi instituída pela Lei nº 11.584/2.007 e durante todo o mês, a campanha visa conscientizar a sociedade sobre a importância da doação e, ao mesmo tempo, fazer com que as pessoas conversem com seus familiares e amigos sobre o assunto.
Criada pelo cirurgião cardiovascular José Lima Oliveira Júnior, integrante da Comissão de Remoção de Órgãos da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), pelo Ministério da Saúde e pelas Secretarias Estaduais de Saúde, a campanha já está em sua oitava edição.
No Brasil, atualmente, cerca de 40 mil pessoas aguardam na fila por uma doação, de acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).

Tipos de doação de órgãos

Em vida – Quando uma pessoa saudável doa um órgão para outra, é viável para alguns órgãos, como rim, fígado e pulmão. De acordo com a lei brasileira, o transplante com doador vivo pode ser realizado entre parentes de até quarto grau, e pessoas sem parentesco podem doar apenas com autorização judicial.
Após a morte – A maior parte dos transplantes no Brasil é realizada com doadores falecidos, quando há morte encefálica. Nesse caso, pode ser doado qualquer tipo de órgão ou tecido, incluindo córneas e pele, entre outros.

Transplante de órgãos ganha destaque durante a pandemia

A importância da doação e transplante de órgãos ganhou ainda mais destaque na Semana Estadual de Incentivo à Doação de Órgãos Humanos para Transplantes, celebrada no mês de abril, por causa da pandemia causada pelo coronavírus.
O Estado de São Paulo instituiu a primeira semana de abril como “Semana de Incentivo à Doação de Órgãos Humanos para Transplantes”. A medida é prevista na Lei Estadual 7.849, de 18/5/1992. O ex-deputado Edson Ferrarini, autor do projeto que deu origem à lei, considerou que era necessário o poder público promover a campanha como forma de incentivar a doação em vida de órgãos humanos para transplantes.

Dados

De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), com os hospitais lotados de pacientes vítimas da Covid-19, o número de transplantes caiu no ano de 2020. Os casos sem urgência (transplantes de córneas e rim com doador vivo, por exemplo) foram de 18 transplantes por milhão, em 2019, para 12 transplantes por milhão em 2020.
As doações também ficaram prejudicadas por causa dos danos causados pela doença nos órgãos humanos. De acordo com o Ministério da Saúde, a doação de órgãos não é recomendada para pessoas que morreram com doenças infecciosas ativas. Apenas quando o paciente tenha regressão completa dos sintomas há mais de 14 dias, com resultados negativos, é possível a doação.
Em todo caso, é necessário realizar o teste 24 horas antes da captação dos órgãos. Em 2020, 7% dos potenciais doadores testaram positivo para a Covid-19 e não puderam ter seus órgãos aproveitados no Estado de São Paulo.

Em meio à pandemia, aumenta a luta de quem espera por transplante

A queda do número de transplantes, para Valter Duro Garcia, também pode ser atribuída à queda no número de leitos disponíveis para esses pacientes, já que em decorrência do aumento dos casos de Covid e a necessidade de mais leitos para internações tanto nas enfermarias quanto nas unidades de terapia intensiva (UTI).
“Os leitos que seriam de transplantados foram transformados em leitos Covid. Com a queda nas internações, tenho a segurança de que o segundo semestre será melhor do que o primeiro”, afirmou.

Lista
Garcia também observa que os pacientes que estavam na lista de espera e não fizeram a imunização adequada, podem aumentar a lista de espera para alguns e, para outros isso pode significar até mesmo aumento da mortalidade. Ele ainda ressaltou que, entre aqueles que já estão transplantados, cerca de 80 mil, a Covid significou mortalidade dez vezes maior do que para a população geral do país.
“Eles tiveram a mesma incidência da doença. Não foi mais frequente neles do que na população em geral, mas foi mais agressiva neles. De cada mil pessoas na população geral, três faleceram por Covid. Nos transplantados, de cada 100, três faleceram, ou seja, perdemos quase 3 mil, dos 80 mil transplantados”, explicou.

Expectativa de recuperação

Ainda de acordo com o médico, a expectativa para o segundo semestre, com a vacinação avançando, é que se recupere o tempo perdido. “Espero que atinjamos os níveis do ano passado e no ano que vem, o nível de 2019, antes da pandemia e o melhor ano em termos de doação que já tivemos. Em 2020, perdemos um pouco, neste primeiro semestre, perdemos outro pouco, no segundo semestre começa a recuperar e normaliza em 2022”, estimou Garcia.
O médico alertou ainda para que todos os pacientes que estão na lista de espera para receber um órgão se imunizem contra a Covid para se protegerem antes do momento da cirurgia.
“É fundamental que todos da lista sejam vacinados. Todos os transplantados também devem se vacinar e, caso tenham a possibilidade de tomar a terceira dose, que é o que estamos discutindo, tomem, porque com os remédios imunossupressores que usam podem ter Covid muito mais forte do que o restante da população”.

Taxa de doadores de órgãos cai 13% no primeiro semestre de 2021

Apesar de a taxa de notificação de potenciais doadores de órgãos ter aumentado 13% no primeiro semestre de 2021, a taxa de doadores efetivos caiu no mesmo percentual (13%). Segundo dados divulgados em 13 de agosto deste ano pela ABTO, a queda se deve à perda de 24,9% na taxa de efetivação da doação.
De acordo com editor-chefe do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT) e membro do Conselho Consultivo da associação, Valter Duro Garcia, o que explica a queda é o aumento de 44% na taxa de contraindicação, em parte pelo risco de transmissão de Covid-19 ou pela dificuldade de fazerem o teste PCR para a detecção da doença ou para obter o resultado rapidamente.

Balanço

Segundo a versão semestral do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT) – balanço completo sobre doação de órgãos e transplantes no país – o transplante renal (19,2 por milhão de população – pmp) diminuiu 16,3%. As maiores quedas ocorreram nos estados de Santa Catarina (63%) e Rio Grande do Sul (59%).
Nenhum estado atingiu 40 transplantes renais por milhão de população e só três unidades da federação ultrapassaram 30 transplantes: Paraná, São Paulo e Distrito Federal. Os transplantes renais com doador vivo tiveram queda menor que os com doador falecido (9,5% contra 17,3%), entretanto, representam apenas 10% dos transplantes renais, a menor taxa desde o início dos transplantes no Brasil.
Os transplantes hepáticos caíram 9%, sendo maiores em Minas Gerais (27%) e Paraná (20%). O transplante com doador vivo aumentou 10% e com doador falecido caiu 12%. O transplante cardíaco (1,2 pmp) diminuiu 15%, sendo essa queda mais acentuada no Ceará (86%), Paraná (66%) e Rio Grande do Sul. O transplante pulmonar, realizado em apenas dois estados, neste semestre, caiu 5,7%, tendo aumentado 31% em São Paulo e diminuído 50% no Rio Grande do Sul.
O balanço também mostra que o transplante de pâncreas, realizado em sete estados, aumentou 21,7%, com aumento em Santa Catarina (67%) e São Paulo (55%) e queda no Paraná (67%), Minas Gerais (17%) e Rio de Janeiro (12%). O transplante de córneas, embora com taxa baixa (52,9 pmp) já apresentou recuperação de 40% em relação ao mesmo período do ano passado.

Passo a passo da doação de órgãos após a morte

Morte encefálica – É a morte do cérebro. Costuma ocorrer em casos de traumatismo craniano ou acidente vascular cerebral (AVC). Como ele comanda o organismo, em pouco tempo todos os órgãos também irão parar de funcionar.

Diagnóstico – São realizados dois exames clínicos para comprovar a morte encefálica, e no Brasil ainda é exigido um método complementar, que mostre que não existe fluxo de sangue no cérebro ou que não há atividade elétrica. Dessa forma, o diagnóstico é estabelecido com total segurança.

Avaliação – Após o diagnóstico, as equipes de atendimento avaliam se a pessoa teria condições médicas de ser doador de órgãos.

Autorização da família – Equipes habilitadas entram em contato com a família para perguntar se autorizam a doação. No Brasil, não há transplante de doador falecido sem que haja consentimento familiar.
Coleta – Os órgãos são retirados e preservados. Também são feitos testes para ajudar a determinar para quem poderão ser doados.

Definição do receptor – Os órgãos são alocados no estado de residência ou no qual a coleta foi realizada. Caso não exista receptor viável, eles são ofertados ao sistema nacional de transplantes, que distribui para todo o Brasil.

Critérios – Para alguns órgãos, o critério é de gravidade da doença, quem mais precisa recebê-lo. Para outros (em que existem maneiras de manter temporariamente a vida enquanto a pessoa não recebe o transplante) eles são alocados por compatibilidade genética entre doador e receptor, para quem tem maior probabilidade de sucesso.

Transplante – Os pacientes beneficiados são notificados e recebem o transplante.
Corpo é devolvido à família – É um compromisso dos hospitais e centrais de transplante entregar para a família o mais rápido possível o corpo da pessoa doadora, em condições de dignidade, para que procedam da forma que decidirem.