Uefa cria o Brasileirão da Europa, a nova Champions League

O presidente da Uefa, Aleksandr Ceferin, falou sobre a traição de seu “compadre”, Andrea Agnelli, com absoluta razão, na tarde de segunda-feira, 19 de abril. Ceferin é padrinho da filha do presidente da Juventus, que assumiu a vice-presidência da nova Superliga, abaixo de Florentino Pérez.
A nova Champions terá 225 partidas, cem a mais do que a atual. Mais jogos, mais dinheiro. Haverá grupo único de 36 clubes, em vez dos oito grupos de quatro clubes. Acontece que os 36 clubes não jogarão todos contra todos. Cada time jogará dez vezes, de acordo com o ranking de cada adversário. Serão três jogos contra times da mesma faixa, três contra equipes da segunda faixa e os quatro restantes de outra faixa no ranking.
Entendeu? Nem eu. Fato é que a classificação será com todos juntos, embora os times joguem contra adversários diferentes. Os oito mais bem classificados, ao final da primeira fase, estarão automaticamente classificados para as oitavas-de-final.
Os oito últimos, eliminados. Todos os dezesseis intermediários, entre o nono e o vigésimo quarto lugares, serão reagrupados para mata mata classificatório para as oitavas. Aí, no primeiro semestre de 2025 – a nova Champions nascerá na temporada 2024/25 – começam os as partidas eliminatórias de oitavas, quartas, semifinais e final.

Superliga
A Superliga está prevista para a temporada 2022/23. Claro que haverá conversas entre Uefa e dirigentes de clubes até lá. A atual Champions nasceu de ameaças de criação de Superligas, especialmente pelo ex-primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi.
Não perca de vista que a Superliga foi anunciada no domingo, porque já se conhecia detalhes da proposta da Uefa, anunciada na segunda-feira.

Basquete
Agora, haverá três anos de queda de braço. O presidente da Federação Italiana de Basquete manifestou-se na manhã desta segunda-feira. Disse que, em princípio, julga a Superliga uma loucura. Mas compara com a EuroLeague, de Basquete.
O rentável campeonato do basquetebol começou em 2000, com a nova EuroLeague tomando conta de um nome não registrado pela Fiba, que promovia o Campeonato Europeu da modalidade. A EuroLeague se consolidou.
Hoje, é disputada pelos clubes licenciados e outros associados, aceitos e que não foram fundadores. Desde 2019, criticada por oferecer sem mérito, a EuroLeague terminou com a presença garantida dos clubes licenciados. Demorou vinte anos para isso.

Previsão
Como a Superliga tem previsão de início na temporada 2022/23, muita água vai rolar debaixo da ponte. O novo diretor-executivo da Uefa, o craque croata Zvonimir Boban, será o responsável pelos primeiros movimentos de conciliação.
Ocorre que Boban não é famoso por conciliar. Ao contrário, é homem de conflito. Também está posta a guerra entre os compadres Ceferin e Agnelli. O padrinho da filha do presidente da Juventus não aceitou a traição.

Superliga

Só que a resposta da Uefa é uma nova Champions com formato estúpido. E a Superliga propõe ter doze clubes fixos. Incríveis coincidências com o Brasil, onde falamos há quarenta anos sobre os doze clubes eleitos, mesmo que hoje o Athletico Paranaense esteja maior do que Cruzeiro, Botafogo e Vasco. Muita coisa lembra o Brasil dos anos 1970.
O formato da Superliga prevê dois grupos de dez times, classificação direta dos três melhores de cada chave e repescagem para o quarto e quinto, que se cruzarão para decidir outras duas vagas nas quartas-de-final.
Lembra o tempo em que o Brasileirão dava vaga para o campeão de renda e público, em 1973 e 1974. Recorde-se que, na década de 1980, o Brasileirão da CBF de Giulite Coutinho, elegia os participantes de acordo com a classificação nos estaduais, vagas de acordo com o ranking de cada estado. A Uefa só copiou isto para a Champions League uma década depois.
Tanto a Uefa, quanto a Superliga, copiam o Brasileirão dos anos 1970, só que disputado na Europa.