Volume alto de chuvas favorece cana-de-açúcar na região de Ribeirão Preto, mas pode impactar preço do açúcar

Falta de sol pode afetar dulçor da planta, o que compromete a produção, levando usinas a moer mais cana para obter mesma quantidade de açúcar.

Chuvas colaboram com desenvolvimento da cana-de-açúcar na região de Ribeirão Preto, SP — Foto: Sergio Oliveira/EPTV

O volume de chuva registrado em Ribeirão Preto (SP) do início de janeiro até esta quarta-feira (11) foi de 205 milímetros, segundo o Climatempo. O acumulado é 76,4% da média esperada para o mês inteiro, que é de 268 milímetros.

O cenário é promissor para as lavouras, principalmente para a cana-de-açúcar, de acordo com o engenheiro agrônomo da Coopercitrus de Sertãozinho (SP), Rodrigo Ortolan.

“A cana precisa de 1,1 mil a 1,5 mil milímetros de chuva, nos seis, sete meses chuvosos que a gente tem aqui na região, para se desenvolver bem. Então a quantidade que está caindo de chuva, apesar de ser acima da média, não traz problemas para o desenvolvimento da cana”, diz.

No entanto, Ortolan afirma que o sol também é essencial porque colabora com o processo de maturação da cana.

“Tendo chuva, tendo água no solo, vai desenvolver uma boa quantidade de toneladas de cana por hectare, vai produzir bem. E quanto maior essa produção de cana por hectare, lá na frente, a chuva cessando, ela iniciando o processo de maturação, o acúmulo de açúcar vai ser grande.”

É que ao mesmo tempo em que favorece a produtividade da lavoura, o excesso de chuva pode resultar em uma cana-de-açúcar menos doce. No setor sucroalcooleiro, o teor é chamado ATR, que significa açúcar total recuperável.

“Devemos ter um aumento de cana por hectare em produtividade. Significa mais cana para a região, porém também temos uma questão que é o ATR, que temos que ressaltar que produz mais, chove mais, mas a gente consegue fazer menos açúcar. A cana precisa de água e sol para poder transformar em energia para o desenvolvimento e aumento de produção”, diz Fernando José Prate, gerente agrícola corporativo de uma usina em Pontal (SP).

Prate afirma que a unidade pretende moer na próxima safra, a partir de abril, cerca de sete milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Se as chuvas intensas continuarem com pouco espaço para o sol, o preço do açúcar no mercado deve subir.

Fonte:g1.globo.com