WhatsApp foi o aplicativo mais popular em 2020

Pesquisa aponta que WhatsApp é o app que consome mais tempo
do dia das pessoas

Também aparecerem na lista Instagram, Facebook, Netflix e até o jogo Free Fire

O WhatsApp é o aplicativo mais popular entre os internautas brasileiros, segundo estudo feito pelo site Mobile Time em parceria com a Opinion Box.
De acordo com a pesquisa, o app de mensagens pertencente ao Facebook é o que consome mais tempo do dia a dia das pessoas, além de ser o que mais se abre ao longo de 24 horas.
O levantamento feito pelo site posicionou a seguinte pergunta: “Qual é o aplicativo que você abre mais vezes ao longo do dia?”. As três primeiras posições do ranking foram ocupadas por plataformas de Mark Zuckerberg, com o WhatsApp em um espaçoso primeiro lugar (54%), seguido pelo Instagram (14%) e o app oficial do Facebook (11%).
Essa mesma ordem se repete na posição dos apps na tela principal do smartphone: o WhatsApp está na primeira página de 56% dos celulares, seguido do Instagram com 45% e o Facebook com 43%.

Liderança
No mesmo critério, a pergunta “Qual é o aplicativo que você passa mais tempo vendo ao longo do dia?”, o WhatsApp manteve a liderança, embora aqui o posicionamento tenha sido um pouco mais acirrado: o percentual atingido pelo app de mensagens foi de 29%, contra 24% do Instagram e 20% do Facebook. YouTube e Netflix também foram citados pelos respondentes, e até mesmo o jogo “Free Fire” apareceu na lista.
O levantamento foi com entrevistas com 2.003 brasileiros, entre os dias 6 e 23 de novembro de 2020. Para atender aos parâmetros estabelecidos pela pesquisa, os respondentes deveriam obrigatoriamente ter acesso à internet e pelo menos um smartphone.

Na mira da justiça dos EUA
Enquanto no Brasil o WhatsApp é reconhecido como o app mais popular, nos Estados Unidos a coisa vem tomando rumos bem acalorados de discussão.
No começo do mês, uma coalizão formada por legisladores de 48 estados dos EUA abriu um processo contra o Facebook, alegando que a empresa usa de práticas anticompetitivas para obter vantagens injustas no mercado.
Paralelamente, a Federal Trade Comission (FTC) abriu um processo similar, acusando a rede social de Mark Zuckerberg de monopólio.
Em ambos os casos, os processos tratam especificamente de aquisições conduzidas pelo Facebook ao longo da última década, com foco especial no WhatsApp – comprado pela empresa em 2014 por US$ 19 bilhões (R$ 97,52 bilhões, na conversão direta) –, e o Instagram, que foi adquirido em 2012 por US$ 1 bilhão (R$ 5,13 bilhões).
No processo, a comissão acusa o Facebook de “jogar na defesa por meios anticompetitivos” após “derrubar” o rival MySpace.

Aquisição de empresas

“Depois de identificar duas ameaças competitivas significativas à sua posição dominante – Instagram e WhatsApp -, o Facebook passou a reprimir essas ameaças comprando as empresas”, disse a agência, que ainda faz referência a um e-mail de 2008, enviado pelo próprio CEO, Mark Zuckerberg, onde ele afirmava ser “melhor comprar do que competir”.
Uma das possibilidades – o pior cenário para o Facebook, no caso – é que o governo estadunidense force a empresa a se desfazer do WhatsApp e do Instagram, vendendo as operações e tornando-as mais independentes do que são atualmente.
Ainda não se sabe do andamento de ambos os processos, mas a julgar pelo tamanho das ações movidas, é seguro dizer que esse assunto ainda deve levar muito tempo até ver seu fim.

Especialistas dizem o que esperar de 2021 no campo da tecnologia

A pandemia do coronavírus trouxe muitas reflexões, mudou a rotina de quase todo mundo e, não bastasse as vidas que se foram, frustrou qualquer tipo de previsão ou expectativa para 2020.
O cenário na área de tecnologia acompanhou as mudanças no mundo. Entre computadores quebrados, vírus de resgate, conexões caindo e microfones mudos, a “disponibilidade” (um dos três pilares da segurança digital, ao lado da confidencialidade e da integridade) foi a estrela em 2020 – um ano em que muitos se viram, de repente, obrigados a trabalhar de casa, com seus próprios meios.

Home office
Foi assim que o dia a dia do home office fez muitos enxergarem a importância de um bom computador, celular ou notebook (e às vezes os três, para garantir) – seja para fazer o trabalho que antes era realizado na empresa ou para buscar novas oportunidades no mercado.
Em meio a isso, o que esperar de 2021 na área tecnológica? Nos Estados Unidos, está em discussão uma reforma do sistema de defesa digital hoje formado pelo Cibercomando (USCYBERCOM) e pela Agência Nacional de Segurança (NSA).
O Brasil adotou recentemente um plano de estratégia nacional, mas os efeitos práticos ainda estão por vir e podem trazer novidades.
Outra incógnita é a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Embora tenha entrado em vigor em 2020, as multas previstas na legislação e as regras mais específicas, que ainda aguardam definição por parte da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), só vão começar a valer de fato em 2021.

O que dizem os especialistas
Para saber o que esperar da tecnologia neste ano, o site G1, da Rede Globo, conversou com Sandro Suffert e Fábio. As previsões podiam ser positivas ou negativas, mas os dois especialistas destacaram desafios novos ou crescentes na área.
Sandro Suffert é CEO da Apura, uma empresa especializada em inteligência e dados de ameaças. Ele apontou que os criminosos estão mais capitalizados graças aos lucros obtidos nas operações de 2020. Esse dinheiro – que, segundo o executivo, foi estimado em US$ 1 bilhão – pode ter um impacto nos ataques em 2021.
Suffert também advertiu para riscos do home office e da internet das coisas, que deve ser ampliada com a conexão 5G. Ele destaca a necessidade de uma regulamentação do setor no Brasil para garantir a proteção dos consumidores que utilizam esses dispositivos conectados.
Phishing (ataques com páginas falsas) e invasões contra fornecedores foram as apostas de Fábio Ramos, fundador e CEO da Axur, uma empresa especializada em proteção de marcas e vazamento de dados.

Ataques mais sofisticados
A probabilidade de ataques mais sofisticados também aparece nas previsões de Ramos, mas o especialista observa que os criminosos podem se aproveitar de dados e perfis falsos em redes sociais para aplicar golpes mais personalizados e mais eficazes. Ou seja, não é preciso tanto dinheiro para organizar esse tipo de fraude contra os consumidores, e as empresas precisam ficar atentas.
Confira, nos quadros abaixo, as previsões completas dos dois especialistas:

Sandro Suffert, CEO da Apura
“As ameaças cibernéticas devem aumentar consideravelmente em 2021. Nosso estudo, que analisou todo o ano de 2020, apontou que os cibercriminosos estão mais capitalizados e, portanto, com maior poder financeiro para investir em ataques. Estima-se que operadores de ransomware acumularam lucro superior a US$ 1 bilhão em 2020.
O advento do 5G deve ampliar o consumo de dispositivos da ‘internet das coisas’, abrindo uma nova seara para ameaças. Isso porque a tecnologia amplia extraordinariamente o fluxo de dados digitais e, como efeito colateral, pode aumentar os riscos de insegurança na internet.
É preciso um marco para regulamentar essa implementação, para garantir proteção. Destaco aqui, também, que será preciso uma atenção especial das empresas que continuam em home office, com acesso remoto a sistemas, tornando-os, assim, mais vulneráveis”.

Fábio Ramos, CEO da Axur
“Uma tendência forte para 2021 são os ataques nas redes de fornecedores das empresas, a exemplo do que aconteceu com a SolarWinds e veio a público no fim de 2020. Ela teve o sistema comprometido e através desse comprometimento os hackers conseguiram acessar dezenas de milhares de empresas que eram clientes da SolarWinds.
Essa é uma tendência porque um ataque ao fornecedor pode ser devastador. As empresas confiam nos seus fornecedores e não conseguem garantir que o fornecedor tenha um nível de segurança adequado, pois ela não tem gestão sobre o fornecedor.
Entendemos que 2021 terá muitos ataques direcionados a grandes fornecedores de tecnologia, e as empresas têm que ficar atentas e criar uma sistemática pra monitorar toda a comunicação com seus fornecedores e garantir que eles não sirvam de porta de entrada.
A próxima tendência são os ataques de phishing mais sofisticados. Estamos começando a ver os criminosos realizando ataques ultrapersonalizados com o uso de redes sociais, e os ataques por meio de redes sociais que apropriam das marcas das empresas têm uma taxa de sucesso muito alta e um retorno financeiro muito grande para os criminosos.
Vários eventos ao longo de 2020 bateram recorde atrás de recorde em páginas falsas e as empresas devem ficar mais atentas ao uso da sua marca para enganar os consumidores, pois muitas vezes só se monitora o que acontece da porta para dentro”.