10 anos sem David Bowie: 3 vezes em que o músico interpretou pessoas reais no cinema

David Bowie como Nikola Tesla em “O Grande Truque”

O dia 10 de janeiro de 2026 marca o aniversário de 10 anos do falecimento do músico David Bowie.
O Camaleão do Rock também se provou um artista bastante versátil no cinema, ao interpretar personagens icônicos, como Jareth em “Labirinto – A Magia do Tempo”, Thomas Jerome Newton em “O Homem que Caiu na Terra” e o agente Phillip Jeffries em “Twin Peaks: Fire Walk with Me”.
Ao longo de sua carreira no cinema, Bowie também interpretou três pessoas reais: o governador romano Pôncio Pilatos, o pintor e cineasta Andy Warhol e o inventor Nikola Tesla. Relembre cada um dos papéis:

Pôncio Pilatos em “A Última Tentação de Cristo” (1988)
No polêmico e conceituado filme de Martin Scorsese, David Bowie não tem muito tempo de tela, mas convence no papel de um arrogante, autoritário e persuasivo Pôncio Pilatos, especialmente na cena em que conversa com Jesus Cristo (Willem Dafoe) na prisão.
Uma curiosidade revelada pelo próprio Scorsese é que Bowie não era a primeira opção para o papel, mas sim o também músico Sting.
O ex-vocalista e baixista do The Police, no entanto, não pôde participar das gravações devido a outros compromissos profissionais.

Andy Warhol em “Basquiat – Traços de Uma Vida” (1996)
David Bowie chegou a conviver com Andy Warhol e até lançou uma música com o nome do pintor em 1971, no álbum Hunky Dory. Talvez por isso tenha sido tão preciso ao interpretá-lo, inclusive nos trejeitos introvertidos característicos.
Dirigido por Julian Schnabel, o filme acompanha a trajetória de Jean-Michel Basquiat (Jeffrey Wright) e dedica bastante tempo à relação entre os dois pintores.
Faz isso ao retratar o momento em que se conheceram, em 1982, a amizade rapidamente construída, os muitos trabalhos produzidos em conjunto, as tensões ao longo dos anos de convivência e os efeitos da morte de Andy Warhol, em 1987, na vida de Basquiat.

Nikola Tesla em “O Grande Truque” (2006)
Embora muitas das características de Tesla tenham sido mantidas, o filme não se propõe a retratar eventos reais, mas sim uma história fictícia focada na rivalidade entre os ilusionistas Robert Angier (Hugh Jackman) e Alfred Borden (Christian Bale).
No filme de Christopher Nolan, Tesla aparece como um brilhante, recluso e sarcástico cientista, responsável por desempenhar um importante papel na narrativa, ao criar uma máquina de teletransporte para Robert Angier.
Bowie se mostra bastante à vontade no papel, especialmente nas cenas em que seu personagem aborda questões filosóficas a partir de suas descobertas científicas.

BRUNO INÁCIO

Bruno Inácio é jornalista, mestre em comunicação e autor de “Desprazeres existenciais em colapso” (Patuá), “Desemprego e outras heresias” (Sabiá Livros) e “De repente nenhum som” (Sabiá Livros).
É colaborador do Jornal Rascunho, do Le Monde Diplomatique e da São Paulo Review e tem textos publicados em veículos como Rolling Stone Brasil e Estado de Minas Gerais.