Se no passado Georges Méliès não tivesse sido o precursor dos efeitos especiais, certamente o cinema não seria como conhecemos hoje.
Da mesma forma, movimentos cinematográficos de diversas partes do mundo – inclusive do Brasil – determinaram como os filmes passariam a ser feitos, desde a complexidade dos diálogos até aspectos visuais.
Tudo começou na França, com os irmãos Lumière e o já citado Georges Méliès. Mas foi em outro país europeu que surgiu o primeiro grande movimento cinematográfico: o Expressionismo Alemão.
De lá para cá, o cinema mudou muito. Mas alguns movimentos fizeram dele o que é hoje.
Confira os principais:
Expressionismo Alemão (Início em 1919)
Com temáticas mórbidas e, muitas vezes, assustadoras, o Expressionismo Alemão ficou marcado pela sua estética sombria, exagerada e distorcida.
Seus principais diretores são Friedrich Murnau e Fritz Lang.
Filmes mais importantes:
O Gabinete do Dr. Caligari (1920), Fausto (1926) e Metropolis (1927).
Neorrealismo Italiano (Início em 1943)
Influenciado pela violência – física e simbólica proporcionada pela Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945), o Neorrealismo Italiano relata, na maioria de seus filmes, histórias de pessoas que se frustram ao buscar o que deseja
No que se refere à técnica, inova por apresentar longos planos-sequência, pouco uso de edição e atores não profissionais. Os principais diretores são Roberto Rosselini, Vittorio De Sica e Luchino Visconti.
Filmes mais importantes:
Obsessão (1943), Roma, cidade aberta (1945) e Os ladrões de bicicleta (1948).
Nouvelle Vague (Início em 1959)
Com o intuito de criar o chamado cinema de autor – que se contrapõe ao cinema comercial – colaboradores da famosa revista Cahiers du Cinemá inovaram ao apresentar filmes não lineares, repletos de cortes repentinos e excelentes diálogos.
Os principais diretores são Francois Truffaut, Jean-Luc Godard e Eric Rohmer.
Filmes mais importantes:
Acossado (1960), Jules e Jim (1962) e O Demônio das Onze Horas (1965).
Cinema Novo (Início em 1960)
Inspirados pelo Neorrealismo Italiano e pela Nouvelle Vague, cineastas brasileiros mudaram a história da arte nacional ao apresentar filmes experimentais que buscavam, sobretudo, propor uma consciência política aos brasileiros no momento em que o país passava por uma ditadura militar.
Os principais diretores são Glauber Rocha, Ruy Guerra e Joaquim Pedro de Andrade.
Filmes mais importantes:
Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), Terra em Transe (1967) e Macunaíma (1969).
Nova Hollywood (Início em 1967)
Cansados dos filmes até então produzidos nos Estados Unidos, jovens cineastas inovaram ao apresentar filmes com temáticas violentas e protagonizados por anti-heróis.
Muitos dos longas-metragens produzidos neste período trazem plot twists clássicos e cenas envolvendo o consumo de droga
Os principais diretores são Martin Scorsese, Brian De Palma e Francis Ford Coppola.
Filmes mais importantes:
Bonnie e Clyde (1967), O Poderoso Chefão (1972) e Taxi Driver (1976).
BRUNO ÍNACIO
Bruno Inácio é jornalista, mestre em comunicação e autor de “Desprazeres existenciais em colapso” (Patuá), “Desemprego e outras heresias” (Sabiá Livros) e “De repente nenhum som” (Sabiá Livros).
É colaborador do Jornal Rascunho, do Le Monde Diplomatique e da São Paulo Review e tem textos publicados em veículos como Rolling Stone Brasil e Estado de Minas Gerais.


