Confira ótimos filmes que completam 60 anos em 2026

Quem Tem Medo de Virginia Woolf?

O ano de 1966 foi um divisor de águas para a sétima arte. Enquanto Hollywood começava a questionar seus próprios códigos morais, o cinema europeu atingia o ápice do experimentalismo e o Brasil consolidava o Cinema Novo.
Em 2026, essas obras completam seis décadas de influência ininterrupta. Confira uma seleção de 10 filmes indispensáveis que apagam 60 velinhas:

Três Homens em Conflito
O ápice do “Western Spaghetti” de Sérgio Leone. Com a trilha icônica de Ennio Morricone e o olhar penetrante de Clint Eastwood, o filme redefiniu o gênero com seus planos fechados, tensão prolongada e uma moralidade cinzenta que ainda ecoa em produções modernas.

Persona
Dirigido por Ingmar Bergman, este drama psicológico sueco é um estudo profundo sobre identidade e a fusão de personalidades entre uma enfermeira e sua paciente muda.
É, até hoje, uma das obras mais analisadas e visualmente impactantes da história do cinema.

Blow-Up: Depois Daquele Beijo
A estreia do italiano Michelangelo Antonioni em língua inglesa capturou a efervescência da Swinging London.
O mistério em torno de uma fotografia que pode ter registrado um assassinato serve de pano de fundo para uma discussão existencialista sobre a percepção da realidade.

Quem Tem Medo de Virginia Woolf?
Um duelo de titãs entre Elizabeth Taylor e Richard Burton. O filme chocou o público da época pela crueza dos diálogos e pela exposição do declínio psicológico de um casal, marcando o fim definitivo da censura rígida do Código Hays em Hollywood.

A Batalha de Argel
Um marco do cinema político. O diretor Gillo Pontecorvo utilizou uma estética quase documental para retratar a resistência argelina contra o colonialismo francês.
Sua influência é tão vasta que o filme já foi utilizado até como material de estudo por forças militares e grupos revolucionários.

Todas as Mulheres do Mundo
No cenário nacional, Domingos Oliveira entregou esta joia do cinema brasileiro.
Estrelando Leila Diniz, o filme é uma crônica leve, inteligente e apaixonada sobre as relações amorosas no Rio de Janeiro dos anos 60, tornando-se um clássico instantâneo da nossa cinematografia.

Fahrenheit 451
A visão distópica de Ray Bradbury ganhou vida nas mãos de François Truffaut.
Em um mundo onde os livros são proibidos e queimados, o filme permanece assustadoramente atual ao discutir censura, alienação tecnológica e a importância da memória cultural.

Um Homem, Uma Mulher
Vencedor da Palma de Ouro em Cannes e do Oscar de Filme Estrangeiro, o longa de Claude Lelouch é o suprassumo do romantismo francês.
Com uma fotografia inovadora e uma trilha sonora (de Francis Lai) que se tornou tema mundial, o filme provou que histórias simples podem ser contadas de forma arrebatadora.

Andrei Rublev

A obra-prima de Andrei Tarkovsky é uma jornada épica pela Rússia do século XV.
Através da vida de um pintor de ícones, o diretor explora a relação entre o artista, a fé e o poder político, em planos sequências que são verdadeiras pinturas em movimento.

BRUNO INÁCIO

Bruno Inácio é jornalista, mestre em comunicação e autor de “Desprazeres existenciais em colapso” (Patuá), “Desemprego e outras heresias” (Sabiá Livros) e “De repente nenhum som” (Sabiá Livros).
É colaborador do Jornal Rascunho, do Le Monde Diplomatique e da São Paulo Review e tem textos publicados em veículos como Rolling Stone Brasil e Estado de Minas Gerais.