Depois de adiamentos causados pela pandemia da Covid-19, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 se aproxima. A prova será aplicada em 17 e 24 de janeiro de 2021, dois domingos consecutivos. Pela primeira vez, haverá a alternativa da aplicação de forma digital. Para quem optou pelo novo formato, as provas serão em 31 de janeiro e 7 de fevereiro. No total, mais de 5 milhões de candidatos se inscreveram.
As duas versões terão a mesma estrutura. No primeiro dia, serão aplicadas 45 questões objetivas de Linguagens e Códigos e 45 de Ciências Humanas, além da redação. Já no segundo dia, serão mais 45 questões de Ciências da Natureza e 45 de Matemática. Para ambas as avaliações, os portões abrem às 12h, fecham às 13h e as provas, nos dois dias, começam às 13h30. No primeiro dia, terminam às 19h, e no segundo, às 18h30.
Quase 100 mil candidatos optaram pelo formato digital. Nessa versão, eles responderão as questões pelo computador. Apenas a prova de redação terá que ser respondida no papel. Porém, os candidatos não podem fazer a prova de casa. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), essa é uma questão de segurança. O computador usado pelos candidatos só terá acesso à prova, sem permissão para entrar em outros programas instalados na máquina ou na internet.
Inep
Ainda de acordo com o Inep, a prova será o mais próxima possível da impressa, para garantir a competição igual entre todos os candidatos. Isso significa que eles poderão voltar às questões que deixaram em branco, por exemplo. Também terão direito a uma folha de rascunho para anotar o gabarito e fazer conferência futura. Para poder levá-la, precisarão ficar até os últimos 30 minutos de prova.
A ideia do Inep é que, até 2026, o Enem se torne completamente digital. Com isso, a expectativa é de que se possa ampliar a quantidade de municípios que recebem a prova e que ela possa ser aplicada mais vezes ao ano.
Segurança
Segundo a infectologista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Raquel Stucchi, os riscos de infecção nas salas de prova são baixos, a atenção dos alunos deve ser o cuidado com possíveis aglomerações e em seguir os protocolos de segurança.
“Apesar de ser um tempo muito longo e dentro de uma sala fechada, as pessoas não estarão conversando. E a transmissão acontece quando a gente fala, canta. Deve-se evitar aglomerações até mesmo na ida. Então, chegue antes para não ficar todo mundo empilhado no portão. Não faça aglomerações nem antes, nem depois da prova”, completa Raquel Stucchi.
Sala separada
Os participantes pertencentes ao grupo de risco para a Covid-19 terão atendimento especial no dia da prova. Entram nesse grupo doentes crônicos, asmáticos, obesos e idosos, por exemplo. Esses candidatos terão direito a ficar em uma sala com menos participantes.
Cuidados
Todo o cronograma da avaliação teve que ser alterado devido à pandemia da Covid-19. Devido o prenúncio de uma segunda onda de infecções, diversas regras, além das habituais, terão que ser seguidas. Caso contrário, o candidato poderá ser, até mesmo, eliminado. Não será possível a entrada nos locais de prova sem o uso da máscara de proteção facial, e ela deverá ser usada até o fim da prova. O equipamento de segurança precisa cobrir totalmente o nariz e a boca e só será permitida a retirada dele para se alimentar e beber água.
Além disso, todas as salas deverão ter álcool em gel disponível. Os candidatos também poderão levar o próprio produto, em recipientes transparentes. Ainda será obrigação do participante higienizar as mãos ao entrar e ao sair do banheiro, e durante toda a realização do exame. Para evitar aglomerações, o Inep ampliou o número de locais de aplicação de provas. Dessa forma, a recomendação é que cada sala só fique com metade da capacidade total.
Nesta edição serão 205 mil salas, em 14 mil pontos de aplicação. Em 2019, foram 145 mil salas, em 10 mil locais de aplicação. “Todos os envolvidos deverão seguir as normas de segurança recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que são: evitar aglomerações na entrada, uso de máscara o tempo todo e do álcool em gel, medição da temperatura de cada um na entrada da sala e o distanciamento entre as cadeiras”, explicou Eduardo Sousa, coordenador-geral de Exames do Inep, em live promovida pelo Edtech Evolucional.
A candidata Shalana Costa Souza, 18 anos, que busca uma vaga no curso de Odontologia, confessa que se sente insegura em relação a fazer a prova no meio de tantos casos de Covid-19. “Eu tenho muito medo e não me sinto confortável. É um momento que deveria ser de total concentração na prova, mas não tem como ser, por estarmos em um ambiente com pessoas que não conhecemos”, destaca.
Júlia Cid Teles Oliveira, 18 anos, também está receosa. Aspirante ao curso de pedagogia, a estudante do ensino médio, afirma que seguirá todas as recomendações para fazer uma boa prova e prevenir a contaminação. “Estou bem apreensiva por medo de contrair o vírus e passar para minha mãe e meus avós, que são do grupo de risco. O uso da máscara, para mim, vai ser bem difícil, porque eu uso óculos e sempre embaça, então, acho que vou perder um bom tempo por causa disso, o que é muito ruim”, explica.

