O carnaval, uma das maiores paixões dos brasileiros, é uma festa repleta de arte e simbolismos.
Por conta de sua importância cultural e histórica, tornou-se tema ou plano de fundo de muitos livros no Brasil e em outros países, tanto na ficção quanto na não-ficção. Confira alguns exemplos:
Carnavais, malandros e heróis: Para uma sociologia do dilema brasileiro (Roberto DaMatta)
O que torna a sociedade brasileira diferente e única? “Carnavais, malandros e heróis”, clássico inquestionável da antropologia brasileira, responde a essa questão através de uma ida ao cerne do dilema que faz do Brasil um país de grandes desigualdades, mas de futuro promissor.
Para Roberto DaMatta, tanto o carnaval quanto seus malandros e heróis são criações sociais que refletem os problemas e dilemas básicos da sociedade que os concebeu.
Mito e rito são, assim, dramatizações ou maneiras de chamar a atenção para certos aspectos da realidade social dissimulados pelas rotinas e complicações do cotidiano.
Os ensaios de “Carnavais, malandros e heróis” foram considerados, na época do lançamento, como uma visão inovadora e um esforço definitivo para o entendimento do Brasil.
Embora o carnaval tivesse sido tema de alguns estudos, pela primeira vez um antropólogo considerou a sociedade através dessa e de outras festividades, transformando-as em janelas privilegiadas para as interpretações do Brasil.
A noite do meu bem: A história e as Histórias do samba-canção (Ruy Castro)
Em 1946, o presidente Eurico Gaspar Dutra proíbe os jogos de azar no Brasil. A decisão gerou uma legião de desempregados — e um grande contingente de boêmios carentes.
Os cassinos fecharam, mas os profissionais da noite logo encontraram um novo ambiente: as boates de Copacabana.
Em vez das apresentações grandiosas, as boates favoreciam a penumbra, a intimidade, o romance.
Assim como a ambience, a música baixou de tom. Os músicos voltaram aos palcos, mas em formações menores, tocando quase como um sussurro ao ouvido.
Essa nova música, as boates e o contexto que fez tudo isso possível são o tema do novo livro de Ruy Castro, que mais uma vez nos delicia com sua prosa arrebatadora.
Sonho de Carnaval (Pedro Bandeira)
A pequena Marinha adora ver os preparativos da grande escola de samba, que está se preparando para ser o maior sucesso no desfile da avenida.
E a menina sonha em sair como porta-estandarte, bailando à frente de todos, vestindo a mais linda fantasia e sendo aplaudida pelo público! Será que ela vai conseguir realizar o seu sonho de criança?
O Sonho dos Heróis (Adolfo Bioy Casares)
Considerado um dos melhores romances argentinos de todos os tempos, “O sonho dos heróis”, de Adolfo Bioy Casares, publicado originalmente em 1954, narra a trajetória de Emilio Gauna, um jovem empregado de uma oficina mecânica, durante o insólito carnaval de 1927, em Buenos Aires.
Com o dinheiro ganho nos cavalos, Gauna resolve pagar as três noites de festa para seus amigos do bar. Três anos depois, no carnaval de 1930, com uma nova aposta ganha, ele repete os mesmo passos daquela noite, com as mesmas pessoas.
O protagonista busca assim, relembrar algo muito importante que lhe aconteceu na outra ocasião, mas que ele não se lembra o que foi.
A trama onírica, com uma estrutura circular, gira ao redor da estranha amnésia de Gauna.
Suas lembranças esquivas lhe trazem de volta brigas de faca, festas terríveis, manifestações mágicas, histórias de amor e até uma fenda no espaço-tempo.
BRUNO INÁCIO
Bruno Inácio é jornalista, mestre em comunicação e autor de “Desprazeres existenciais em colapso” (Patuá), “Desemprego e outras heresias” (Sabiá Livros) e “De repente nenhum som” (Sabiá Livros).
É colaborador do Jornal Rascunho, do Le Monde Diplomatique e da São Paulo Review e tem textos publicados em veículos como Rolling Stone Brasil e Estado de Minas Gerais.


