Sessão foi marcada por baixa liquidez, entrecortada por feriado e fim semana
O dólar fechou o primeiro pregão do ano em queda firme em meio a um pregão de baixa liquidez nos mercados. Já o Ibovespa voltou a orbitar os 162 mil pontos, mas fechou em queda nesta sexta-feira, 2, na primeira sessão do ano, com as ações da Minerva e da MBRF entre as maiores perdas após decisão da China de aplicar tarifas de importação para carne bovina.
O dólar à vista fechou em queda de 1,19%, aos R$ 5,4238 na venda. Já o índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa, caiu 0,36%, a 160.538,69 pontos, após marcar 161.956,56 pontos na máxima e 160.059,14 pontos na mínima do dia.
Em sessão marcada por baixa liquidez, entrecortada por feriado e fim de semana, o volume financeiro somou R$ 19,47 bilhões.
O dólar no dia
Para operadores do mercado ouvidos pela Reuters, o movimento visto nesta sexta-feira já era aguardado.
“Já era esperado esse movimento, uma vez que tivemos uma alta bem significativa no fim do ano puxada pelas remessas de dividendos de grandes empresas multinacionais. É um ajuste normal devido a essas remessas”, disse Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos.
Para Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital, o movimento também reflete um movimento do “mercado buscando novamente seu preço de equilíbrio no câmbio que, na nossa opinião, sempre foi abaixo de R$5,40”.
Durante a tarde, o Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$8,410 bilhões em dezembro até o dia 26. Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de US$15,047 bilhões no período. Pelo canal comercial, o saldo do mês até o dia 26 foi positivo em US$6,637 bilhões.
Mais cedo, a pesquisa do Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) mostrou que a atividade industrial no Brasil encerrou 2025 com a retração mais acentuada em três meses em dezembro, com redução da produção e das encomendas diante da fraqueza da demanda. O índice, compilado pela S&P Global, caiu a 47,6 em dezembro, de 48,8 em novembro, indo mais abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração.
Com as principais autoridades brasileiras em recesso, as atenções do mercado agora se voltam para a publicação dos dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), na próxima semana.
No exterior, às 17h54, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,22%, a 98,460.
Por lá, os agentes aguardam a publicação do relatório de empregos dos Estados Unidos, que sai na próxima semana, e mais notícias sobre quem será o sucessor de Jerome Powell como chair do Federal Reserve.
O dia do Ibovespa
A queda ocorre após o Ibovespa registrar em 2025 uma alta de quase 34%, no melhor desempenho anual em nove anos, tendo quebrado vários recordes no ano passado.
No exterior, Wall Street fechou com o S&P 500 em alta de 0,19% e o Dow Jones com elevação de 0,66%, enquanto o Nasdaq terminou praticamente estável.
A partir de segunda-feira, o Ibovespa passa a ter uma nova composição, com entrada das ações da empresa de saneamento Copasa e saída dos papéis da operadora de turismo CVC Brasil, conforme a terceira e última prévia.
DESTAQUES
– MINERVA ON caiu 6,77% e MBRF ON perdeu 1,7%, tendo como pano de fundo a decisão da China de impor uma tarifa adicional de 55% sobre importações de carne bovina que excederem os níveis de cota dos principais países fornecedores, incluindo Brasil.
– PETROBRAS PN recuou 0,36%, debilitada pela fraqueza dos preços do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent cedeu 0,16%. A estatal comunicou que iniciou a produção da sétima plataforma de petróleo e gás do campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos.
– BRADESCO PN subiu 0,16%, enquanto BANCO DO BRASIL ON cedeu 1,09%, SANTANDER BRASIL UNIT recuou 0,97%, BTG PACTUAL UNIT caiu 0,74% e ITAÚ UNIBANCO PN perdeu 0,17%.
– VALE ON fechou com elevação de 0,58%, em pregão sem a referência dos futuros do minério de ferro na China, onde os mercados estão fechados por feriado.
– B3 ON recuou 1,01%, entre as maiores contribuições negativas, em pregão de ajustes, após quatro altas seguidas, período em que se valorizou 7,8%.
– AXIA ON caiu 1,21%, tendo no radar reportagem da Folha de S.Paulo, de que a Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro determinou, em caráter de urgência, que a elétrica provisione R$750 milhões para garantir o eventual pagamento no futuro de PLR a trabalhadores e ex-funcionários .
– SLC AGRÍCOLA ON subiu 3,67%, tendo como pano de fundo o anúncio do final de 2025 de que foram satisfeitas todas as condições e consumada a operação de associação com fundos administrados do BTG Pactual. Acionistas da SLC também aprovaram aumento de capital com bonificação de ações.
Fonte : https://istoedinheiro.com.br/

