A integração entre a Educação Física e a psicomotricidade tem se consolidado como uma importante ferramenta no desenvolvimento de alunos atendidos pela APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Ituverava.
A atuação conjunta dessas áreas vem promovendo avanços significativos não apenas no desempenho esportivo, mas também na autonomia e inclusão social dos estudantes.
De acordo com o professor de Educação Física e psicomotricista Diego Alvarenga Silva, sócio efetivo da Associação Brasileira de Psicomotricidade (ABP), essa abordagem potencializa habilidades motoras, cognitivas e emocionais, permitindo que os alunos superem limitações e ampliem sua participação na sociedade.
Superação no esporte e construção de confiança
O trabalho desenvolvido na instituição inclui projetos esportivos que estimulam o protagonismo dos alunos. A professora Cássia Moreira, responsável pelo treinamento de corrida, destaca que acreditar no potencial do grupo foi determinante para alcançar resultados expressivos e transformar desafios em conquistas.
“Prepará-los para uma prova de 5 quilômetros foi mais do que um desafio físico, foi uma construção diária de confiança e coragem, provando que eles não são definidos por limitações, mas pela força que carregam”, disse.
Já o professor Cássio Goulart contribui com iniciativas como o Futebol 7 e o apoio ao vôlei adaptado, fundamentais para o desenvolvimento esportivo dos alunos. Essas práticas refletem diretamente no desempenho em outras modalidades, como a corrida.
A contribuição da psicomotricidade
A psicomotricidade, regulamentada pela Lei Federal nº 13.794/2019, é a ciência que estuda a integração entre funções psíquicas, sensoriais e motoras. Sua atuação ocorre na interface entre saúde e educação, sendo essencial no atendimento a pessoas com deficiência.
Na prática, o trabalho psicomotor envolve a compreensão de como o cérebro organiza os movimentos do corpo. Situações como tensão facial durante um chute ou movimentos involuntários entre membros são analisadas para melhor orientar o desenvolvimento do aluno.
“Ensinamos o estudante a reconhecer suas dimensões físicas e sua postura. A orientação de tempo e espaço, por exemplo, reflete diretamente na autonomia do dia a dia, permitindo ao aluno organizar seus pertences, esperar sua vez em uma atividade ou circular com segurança em ambientes públicos sem esbarrar em obstáculos”, explica o professor Diego Alvarenga.
Outro ponto de destaque é o treinamento da regulação da força muscular, possibilitando que o estudante diferencie a intensidade necessária em tarefas distintas, como escrever ou realizar atividades físicas mais exigentes.
Avaliação técnica e vínculo humano
De acordo com o profissional, o trabalho do psicomotricista também envolve a análise da sensibilidade dos alunos a estímulos como sons e toque físico. Para isso, o vínculo entre profissional e estudante é considerado essencial, sendo condição básica para a realização de avaliações eficazes.
“Um alerta pessoal importante que deixo a pais e educadores: a verdadeira psicomotricidade baseia-se em protocolos, diretrizes e escalas científicas. Elas devem evidenciar o patamar de desenvolvimento das capacidades motoras do aluno, sempre coordenadas com sua intenção e afeto”, orienta.
O objetivo vai além das atividades lúdicas, incluindo a elaboração de relatórios técnicos que orientam famílias e educadores sobre o progresso dos alunos. “Mesmo em casos de deficiências múltiplas, os profissionais adaptam os métodos para garantir a participação de todos no processo avaliativo”, ressalta Diego Alvarenga.
“Esse compromisso técnico oferece caminhos seguros de vínculo afetivo para que o aprendizado aconteça, pois compreendemos que o corpo diz muito e, às vezes, ele fala mais do que as palavras”, reforça.
A APAE como meio de preparação
O professor enfatiza que a atuação da APAE é vista como um meio de preparação para a vida em sociedade.
“Nossa função na APAE é ser o meio, lapidando essas capacidades para que, quando a comunidade de Ituverava abrir o espaço — como fez tão generosamente na 5ª Ituverava Running —, nossos alunos estejam prontos para ocupá-lo”, destaca Diego Alvarenga.
“Meu agradecimento profundo a cada cidadão apoiador, à Prefeitura de Ituverava e à Polícia Militar, pois todos proporcionaram um ambiente acolhedor e seguro para este momento”, agradece.
“Vocês não viabilizaram apenas uma corrida, tornaram possível a prova real de que, com o suporte certo e o espaço merecido, estes alunos podem ser reconhecidos e notados numa sociedade que pratica a inclusão”, ressalta.
Apoio que faz a diferença
Por fim, o profissional da APAE ainda sublinhou que os resultados alcançados refletem o esforço conjunto de uma equipe multidisciplinar, pedagógica e administrativa comprometida com a inclusão.
“É um prazer fazer parte de uma instituição unida por um propósito e aprender diariamente com tantos profissionais competentes”, finalizou Diego Alvarenga.

