Há algumas semanas, falei sobre três obras literárias que transformaram a minha vida. Como a arte é bastante ampla, dessa vez abordo três filmes e três álbuns que fizeram o mesmo. Confira:
Filmes
Star Wars – Uma Nova Esperança (George Lucas)
Quando eu estava com 10 anos, acompanhei com entusiasmo a chegada de Star Wars – O Ataque dos Clones nos cinemas. Na época, eu ainda não fazia ideia da importância da saga para o cinema e para a cultura pop, mas sabia que existiam outros filmes. Então, fui procurá-los na locadora, ainda em VHS.
Ao assistir Uma Nova Esperança, a minha vida foi transformada. Nunca havia gostado tanto de personagens cinematográficos quanto gostei de Luke, Leia, Han Solo e Darth Vader. Desde então, vi cada um dos filmes dezenas de vezes e tenho me cercado de objetos decorativos, figuras de ação, livros, HQs, camisetas e outras coisas.
Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual
(Gustavo Taretto)
Medianeras é, sobretudo, um filme atual. Discute nosso isolamento, nossas relações líquidas e aquela sensação de “tanto faz” que sentimos com uma frequência cada vez maior. Demonstra que existem diversos mecanismos – desde a arquitetura até os celulares – pensados para que permaneçamos cada vez mais isolados.
Com forte carga poética e um evidente niilismo, o filme narra a história de Martín e Mariana, dois verdadeiros representantes do grande grupo das pessoas que se sentem perdidas e desamparadas, embora raramente admitam.
O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Jean Pierre Jeunet)
Amélie sente o mundo de uma maneira profunda, mas não costuma lidar com ele por meio das palavras. Bastante observadora, a personagem faz boas ações a pessoas próximas ou mesmo a desconhecidos, sem permitir que saibam que foi ela.
Ao mesmo tempo que esse envolvimento com a vida alheia demonstra a bondade de Amélie, também deixa claro que ela foge dos próprios sentimentos, sobretudo quando se apaixona por Nino.
O filme também traz uma bonita reflexão sobre a importância dos prazeres simples do cotidiano, muitas vezes esquecidos pela correria da sociedade moderna. Para Amélie, pode ser afundar a mão em sacos de cereais. Para mim, é o cheiro do café…
Álbuns
Dark Side of the Moon (Pink Floyd)
Confesso que na primeira vez que ouvi o Dark Side of the Moon, detestei. Hoje, é meu álbum favorito. E esse foi o primeiro ensinamento que o disco me trouxe: olhar algo (ou mesmo alguém) pela segunda vez pode nos mostrar coisas incríveis que deixamos passar num primeiro contato.
Trata-se de um álbum conceitual muito bem construído. Ao mesmo tempo em que a sonoridade hipnotiza, as letras nos fazem refletir (quase sempre de maneira pessimista) sobre grandes temas, como o tempo, a loucura e a obsessão pelo dinheiro.
Abbey Road (The Beatles)
Escolher um álbum da minha banda favorita não foi tarefa fácil. Mas entre todos eles, Abbey Road, em minha opinião, é o que melhor demonstra a diversidade sonora dos Beatles. O álbum reúne elementos do rock convencional (Come Together), belas canções (Something e Here Comes the Sun), surpresas (I Want You – She’s So Heavy), momentos divertidos (Octopus’s Garden) e o medley no final do disco, com o verso de encerramento “And in the end, the love you take is equal to the love you make”.
O Tempo Não Para (Cazuza)
Cazuza é meu letrista brasileiro favorito. É impressionante o quanto suas letras se aproximam da poesia, tanto no que se refere à estrutura quanto ao lirismo. O Tempo Não Para reúne algumas de suas mais belas criações, como Codinome beija-flor, Todo amor que houver nessa vida e a faixa título do álbum. É um disco para pensar e sentir o mundo simultaneamente.
Bruno da Silva Inácio cursa mestrado na Universidade Federal de Uberlândia, é especialista em Gestão Cultural, Literatura Contemporânea e em Cultura e Literatura.
Ele Cursa pós-graduação em Filosofia e Direitos Humanos e em Política e Sociedade. É autor dos livros “Gula, Ira e Todo o Resto”, “Coincidências Arquitetadas” e “Devaneios e alucinações”, além de ter participado de diversas obras impressas e digitais.
É colaborador dos sites Obvious e Superela e responsável pela página “O mundo na minha xícara de café”.
