Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil possui a maior prevalência de transtornos de ansiedade no mundo
Janeiro, mês tradicional de começos e novas metas, também ganhou um significado especial no Brasil: é o mês de conscientização sobre a saúde mental, marcado pela campanha Janeiro Branco.
Criada em 2014 pelo psicólogo mineiro Leonardo Abrahão, a iniciativa ganhou projeção nacional e — desde 2023 — é reconhecida oficialmente como lei federal, reforçando a importância de colocar o bem-estar emocional no centro das discussões sociais e de saúde pública.
Saúde mental no Brasil: números que chamam mais atenção
O Brasil enfrenta desafios significativos quando o assunto é saúde mental. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o país possui a maior prevalência de transtornos de ansiedade no mundo, com cerca de 9,3% da população afetada, o que representa mais de 18 milhões de brasileiros lidando com essa condição.
Além disso, 5,8% sofrem de depressão, tornando o país o segundo das Américas nesse indicador.
Esses transtornos, muitas vezes silenciosos, impactam não apenas o indivíduo, mas também a economia e a sociedade como um todo — sendo responsáveis por elevada incapacidade laboral e aumento de afastamentos no trabalho.
Por que Janeiro Branco é muito importante?
A campanha aposta no simbolismo do mês de janeiro — associado a novas jornadas e “páginas em branco” — como um momento para refletir sobre as emoções e prioridades de vida.
O objetivo principal é quebrar tabus, incentivar o diálogo e promover a busca por ajuda profissional quando necessário, além de estimular políticas públicas que priorizem a saúde mental como parte integrante do cuidado com a pessoa e com a comunidade.
Para isso, diversos materiais educativos e de apoio são disponibilizados gratuitamente pelo Instituto Janeiro Branco, como cartilhas, vídeos e conteúdos para redes sociais, que auxiliam na disseminação de informações confiáveis sobre o tema.
Ações e mobilizações em todo o país
Ao longo de todo o mês, entidades públicas e privadas — incluindo secretarias de saúde estaduais e municipais, universidades e organizações sociais — promovem palestras, rodas de conversa, seminários e atividades culturais para trazer o tema à tona.
No âmbito institucional, órgãos como a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) impulsionam programas que estimulam planos de saúde e empresas a investirem em práticas de promoção e prevenção relacionadas à saúde mental, ampliando o acesso a cuidados psicológicos.
Como buscar ajuda
Para quem enfrenta sofrimento emocional, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece apoio por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), onde equipes multidisciplinares fornecem atendimento especializado.
Além disso, muitas universidades mantêm clínicas-escola de psicologia com atendimentos acessíveis à população.
Reflexão sobre o janeiro branco
O Janeiro Branco é mais que um mês no calendário — é um convite à reflexão coletiva e à ação concreta.
Ao promover uma cultura de cuidado com a mente, a campanha busca transformar atitudes, fortalecer redes de apoio e garantir que a saúde mental seja tratada com a mesma seriedade que a saúde física.
Em tempos de desafios sociais, econômicos e pessoais, esse movimento estimula todos nós a reconhecer nossas emoções, procurar apoio e construir uma sociedade mais acolhedora e saudável.

