
Com uma trajetória brilhante e uma história na advocacia que atravessa gerações, o ituveravense Dr. Antônio Sérgio de Quadros Barbosa completou 60 anos de formatura pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, uma das instituições mais renomadas do país.
Um fato bastante raro segundo os anais das Arcadas, é que são três gerações formadas na mesma escola, Faculdade de Direito do Largo de São Francisco: Dr. Francisco Basileu Barbosa – o pai, Dr. Antônio Sérgio de Quadros Barbosa - o filho e Dr. Sérgio de Oliveira Barbosa – o neto
Para marcar a data, a turma de formandos de 1966 se reuniu, dia 16 de abril, no Iate Clube, na Avenida Higienópolis, em São Paulo.
Compareceram ao encontro mais de 50 colegas, em uma turma bastante heterogênea, sendo que alguns se tornaram juízes, desembargadores, promotores, delegados e profissionais bem-sucedidos na advocacia.
Em entrevista concedida à Tribuna de Ituverava, Dr. Antônio Sergio de Quadros Barbosa fala sobre a conquista.
“O fato de estarmos completando 60 anos de formados representa uma data muito importante na formação profissional de cada um, especialmente daqueles que até o momento ainda estão exercendo a profissão. E são diversos”.
“A vida profissional, durante tanto tempo, nos proporcionou passar por diversas situações, na política do país, nos moldando de forma bastante clara às várias ocasiões em que tivemos de intervir profissionalmente na defesa dos direitos dos clientes, tanto na esfera civil, como também na esfera político-administrativa”, observa.
“A experiência de quem militou ativamente tantos anos na profissão deu base suficiente para encarar as mais diversas situações que foram surgindo durante a vida profissional. Passamos pelo Plano Cruzado, Plano Collor, Plano Real e outros mais que exigiram muito de todos os advogados que estavam na ativa. Advogar não é para amador”, afirma.
Sucesso em família
Dr. Sérgio Quadros fala sobre a influência do pai, o também advogado Dr. Francisco Basileu Barbosa.
“Desde pequeno, acompanhei a vida profissional do meu pai, que também se formou pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, na turma de 1927, tendo exercido a profissão até os últimos dias de sua vida”.
“Papai era um advogado especial pela sua enorme cultura jurídica, também adquirida pela militância profissional e pelo profundo conhecimento do direito. Era especial porque dava as suas opiniões no processo, escrevendo à mão e interpretando a lei, conforme o seu conhecimento e convicção”.
“Não citava jurisprudência, a opinião era pessoal. Assim, desde pequeno eu me convenci de que deveria fazer Direito e na São Francisco. Essa decisão era tão firme que prestei vestibular somente para aquela escola”.
O meu filho Sérgio de Oliveira Barbosa também cursou a escola de Direito do Largo de São Francisco, tendo se formado na turma de 1995, mas preferiu optar pela vida empresarial, uma vez que também cursou a FGV.
Trajetória na São Francisco
O ituveravense conta que, como a sua vontade era entrar somente na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, estudou muito, especialmente no ultimo ano, quando fez um cursinho especializado e ganhou o apelido “Sérgio Ituverava”.
“Feitos os exames e os resultados apareceram nos murais do pátio da Faculdade, onde constava o meu nome, que estava entre os mais bem classificados. Entrei no céu. Passei 5 anos estudando e fazendo muitas atividades paralelas, culturais e políticas, tendo inclusive me candidatado a presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, que era dos mais respeitados da época”.
“Neste período, atravessamos diversas situações que moldaram a nossa personalidade. Em 1964, ganhei uma bolsa de estudos para a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, onde tivemos oportunidade de conhecer de perto diversos departamentos do governo americano. A experiência internacional é uma oportunidade única na vida de cada um”.
Transformações na advocacia
Dr. Antônio Sérgio destaca que, ao longo dos anos, a advocacia foi evoluindo de maneira gradual, mas efetiva.
“Quando nos formamos, os processos eram datilografados manualmente, e os despachos intermediários eram feitos através de publicações no Diário Oficial.
O acompanhamento dos processos era nos balcões dos cartórios, onde os estagiários iniciavam a sua vida profissional. Depois vieram os computadores, que já trouxeram uma evolução bastante grande ao processo, facilitando o seu desenrolar”.
“Mas, acredito que a transformação mais marcante e efetiva do processo foi a introdução do sistema digital. A digitalização transformou totalmente o andamento dos processos, abreviando o seu desenrolar e facilitando a produção de provas e a prestação jurisdicional”.
“Houve até uma dificuldade para a adaptação dos mais antigos ao novo sistema. E, mais recentemente, a Inteligência Artificial, que facilita muito o trabalho dos advogados, mas, acho que inibe um pouco a formação de novos talentos”, observa o advogado.
Desafios
O ituveravense defende que a primeira coisa que o advogado deve ter em mente é que ele precisa estudar diuturnamente.
“A quantidade de leis, processos administrativos e judiciais, que são muitos, se modificam constantemente em razão de leis novas, obrigando o profissional a não se descuidar da sua formação e competência. Isto obrigou a especialização em cada área, para que o conhecimento do profissional alcance todas as nuances das leis da sua área de atuação”.
“A advocacia exige muito estudo e cuidado do profissional. Logo depois de formado, exerci a profissão em São Paulo até o ano de 1975, depois retornei a Ituverava, onde trabalhei com meu pai por mais dois anos, aproveitando a sua ética e conhecimento”.
“A partir dessa época, me especializei na advocacia de terras. Acompanhei a evolução e desenvolvimento do interior do país, onde os pioneiros iam adquirindo novas terras, abrindo novas fronteiras, especialmente nos estados de Minas, Goiás e Mato Grosso”.
“A compra e venda, locação e instalação de novas propriedades, exigiam serviços jurídicos essenciais para que o negócio se concretizasse regularmente. Naquele tempo, ainda não havia GEO, e as divisas eram locadas pelos agrimensores”.
Nesse período, havia divergências nas locações que provocava os conflitos. “Nesta época, nos anos 80 e 90, houve uma verdadeira ‘Corrida para o Oeste’, com a instalação de grandes projetos de abertura de novas áreas para implantação da nova fronteira agrícola”.
“Havia trabalho de toda natureza, locação, implantação, divisão, onde cartórios eram pesquisados para apurar os direitos de cada um. Mas foi graças a essa verdadeira corrida para o oeste que brasileiros do sul e sudeste implantaram essa revolução agrícola que tornou o Brasil essa potência de hoje”.
O papel do advogado na sociedade
Segundo ituveravense, a obrigação do advogado é defender os direitos de seus clientes, usando toda a sua habilidade e conhecimento jurídico.
“Esse papel ele deve ser exercido com independência e sabedoria, não se furtando a encarar qualquer desafio por mais difícil e complicado que seja”.
“O advogado, recebendo a visita do cliente, deve se informar detalhadamente do problema que lhe está sendo proposto, para ver se tem perfeito conhecimento da causa. Depois de combinar claramente os seus honorários, deve informar ao cliente quais são as suas possibilidades de vitória no processo que irá se envolver. A seriedade do assunto deve ser analisada para o cliente, para que não haja surpresa no desfecho do processo”.
Não por acaso, ele lembra que a maneira de conduzir o processo deve ser a mais profissional possível, correta e independente, evitando qualquer constrangimento futuro que possa surgir em decorrência de sua atuação profissional.
“Obedecer rigorosamente os prazos e exercitar todos os recursos que estiverem ao seu alcance. Os colegas devem reconhecer em você um profissional sério e independente”.
Ituveravense
Dr. Antônio Sérgio de Quadros Barbosa que atua profissionalmente em seu escritório na Fazenda Monte Alegre, é casado com Rita de Cássia Alves de Oliveira Barbosa.
São seus filhos: Sérgio de Oliveira Barbosa, casado com Raquel K. Babosa; Flávio de Oliveira Babosa e Rui de Oliveira Barbosa, casado com Joanna Oliveira Rezende Barbosa. Ele tem os netos João Francisco, Flavinho e Rui, Luiza e Ilka.
Conselho aos jovens
Para os jovens que sonham em exercer a advocacia, Dr. Antônio Sério deixa um valioso conselho profissional e inspirador.
“A profissão de advogado é gratificante para quem a exerce com amor e conhecimento. Na medida em que as causas vão surgindo, o profissional vai melhorando a sua experiência, transformando a profissão extremamente agradável e gratificante.
Quem optar pela promotoria ou magistratura deverá exercê-las com independência, conhecimento e rigorosa obediência às leis e à Constituição, porque serão responsáveis por decisões que vão interferir diretamente na vida das pessoas”, afirma.



