
Uma iniciativa conjunta entre o professor Diego Alvarenga Silva e a Polícia Militar de Ituverava resultou em uma instrução estratégica voltada para ocorrências envolvendo o público PcD (Pessoa com Deficiência), neurodivergentes e crises de saúde mental.
A proposta busca unir conhecimentos técnicos para qualificar o atendimento a indivíduos que, embora possam apresentar comportamentos agressivos em momentos críticos, encontram-se em situação de vulnerabilidade, com tomadas de decisão e convivência social comprometidas, assim como questões sensoriais que fogem ao seu controle.
Principais desafios
Condições como autismo, o TOD (Transtorno Opositor Desafiador) ou diagnósticos múltiplos — como a Deficiência Intelectual somada a transtornos mentais — podem gerar atitudes que, sem o devido preparo técnico, assemelham-se a desobediência ou hostilidade.
“Nossa missão é oferecer ao profissional ferramentas para identificar essa cognição atípica, evitando a criminalização de sintomas e estabilizando a crise com foco na segurança jurídica e na proteção à vida”, afirma o professor Diego Alvarenga.
“Além de proteger o cidadão, o protocolo visa a segurança ocupacional do próprio agente, reduzindo riscos de lesões físicas durante o atendimento”, disse.
Capacitação
Como muitas dessas condições são invisíveis aos olhos, o treinamento oferece o suporte técnico para que o desfecho da ocorrência seja a entrega segura do indivíduo ao sistema de saúde ou à família, preservando a carreira do profissional e a vida da comunidade.
Diego Alvarenga ressalta que o policial raramente tem acesso ao diagnóstico prévio e, sem treinamento específico, pode interpretar sintomas involuntários como atos de desacato ou hostilidade.
“Quando o risco iminente exige estabilização mecânica — seja para proteger a própria vítima de autolesão ou garantir a segurança de terceiros — o manejo tradicional requer adaptações”, destaca.
O professor explica que certas condições de saúde trazem fragilidades motoras que facilitam lesões articulares e musculares além de agitações e movimentos atípicos.
“Neste contexto, a comunicação exige um interlocutor único, com tempo de espera entre os comandos e movimentos que antecipem a aproximação. Conceitos como a Lei de Tueller, o Método Giraldi e o "Judô Verbal" de Thompson são validados e adaptados pelo professor para garantir a eficiência operacional e a preservação da vida”, observa.
Sobre o profissional
Diego Alvarenga Silva é pós-graduado em Educação Física Inclusiva e Sócio Efetivo da Sociedade Brasileira de Psicomotricidade.
Possui certificações internacionais em Manejo de Crise (PCM - Professional Crisis Management), ABA (RBT - Registered Behavior Technician), Primeiros Socorros pelo Hospital Israelita Albert Einstein (BLS pela American Heart Association).
Professor de Artes Marciais Inclusivas e treinador credenciado pela Federação de Boxe do Estado do Rio de Janeiro.
Integração e solidariedade
Gratuito e sem fins lucrativos, o projeto tem o objetivo integrar o SAMU e o Corpo de Bombeiros em uma rede de socorro especializada.
Para o professor, a proposta preenche uma lacuna prática que as palestras de conscientização tradicionais não alcançam, oferecendo suporte técnico direto para quem atua na linha de frente.
A ação foi viabilizada pelo intermédio da professora Cássia Moreira, pelo apoio institucional do Primeiro Sargento Renato Moreira da Silva (comandante da PM de Ituverava) e do Primeiro Tenente Fransérgio Roberto Dorigan (comandante interino da 3ª companhia da PM de Ituverava), unindo segurança e inclusão em uma iniciativa pioneira.
Além de Ituverava, o evento também contou com policias de outras cidades, como Miguelópolis, Jeriquara, Buritizal, Ribeirão Corrente, Aramina, Jeriquara, Igarapava e Guará.



