
BRASÍLIA – A Polícia Federal (PF) identificou ao menos 74 ligações telefônicas entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro no Banco Master, entre novembro de 2023 e maio de 2025.
As chamadas, todas atendidas, somam mais de cinco horas e meia de conversa e são apontadas pelos investigadores como um dos elementos que indicariam uma "relação de proximidade" entre os dois. Há desde ligações com duração de 50 segundos até quase 20 minutos.
Os detalhes vieram a público após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça retirar o sigilo de parte da investigação que apura se o senador recebeu vantagens indevidas para atuar em favor de interesses do Banco Master em matérias que tramitavam no Senado.
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Em um dos trechos do relatório, a PF afirma que a análise do celular de Augusto Lima revelou uma "clara e reiterada preferência" dos interlocutores por chamadas de voz realizadas pelo WhatsApp, em vez de mensagens escritas.
Os investigadores registram essa característica porque conversas por áudio deixam menos elementos documentais disponíveis para uma reconstrução posterior do conteúdo do que mensagens de texto ou de áudio, que podem ser recuperadas em determinadas circunstâncias. O relatório, porém, não atribui a essa escolha qualquer intenção de ocultar provas ou de dificultar as investigações.
Além da frequência das ligações, a PF reúne mensagens que, segundo os investigadores, reforçam o vínculo pessoal entre Wagner e Augusto Lima.
Em uma delas, o empresário convida o senador e familiares para conhecerem a Ilha da Paixão, no litoral baiano, colocando uma aeronave particular à disposição. Em outra conversa, a esposa de Wagner escreve "A gente ama vocês", recebendo como resposta "Amamos vocês!! Bjo no coração".
Os investigadores também destacam mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro. Em julho de 2024, o banqueiro afirma que a imagem de proximidade do Master com o governo era positiva para os negócios da instituição e orienta um interlocutor a fazer essa percepção chegar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à base aliada.
A resposta menciona que a informação seria levada ao senador Jaques Wagner e a Guilherme Sodré, conhecido como "Guiga". Para a PF, Augusto Lima seria o principal elo entre o empresário e essas lideranças políticas.
Segundo a investigação, Wagner teria atuado politicamente em pautas de interesse do Banco Master no Congresso. Em troca, conforme apuram os investigadores, teria recebido um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões, em Salvador, e R$ 3,5 milhões destinados a empresas ligadas a familiares.
O senador nega as acusações. Nesta sexta-feira (31), afirmou estar "tranquilo" e disse que provará sua inocência.
Fonte : https://www.otempo.com.br/



