
Ao celebrar 85 anos de idade, Ney Matogrosso se consolida como uma das vozes mais transgressoras e geniais da música brasileira.
Nascido em 1º de agosto de 1941, o artista sul-mato-grossense rompeu barreiras comportamentais e estéticas ao longo de mais de cinco décadas de carreira, combinando um alcance vocal único a uma presença cênica hipnotizante que desafiou os padrões de gênero da MPB.
Para mergulhar na discografia e compreender as múltiplas facetas de sua trajetória, confira cinco discos indispensáveis do cantor:
Secos & Molhados (1973)
Embora seja um trabalho de grupo, este álbum estreia a figura pública de Ney Matogrosso e permanece como um dos maiores fenômenos da história da MPB.
Com maquiagens marcantes, performances corporais andróginas e arranjos que misturavam folclore, rock e poesia, o disco vendeu cerca de um milhão de cópias em pleno regime militar.
Faixas como "Sangue Latino", "O Vira" e "Rosa de Hiroshima" eternizaram o timbre inconfundível de Ney no imaginário popular.
Água do Céu - Pássaro (1975)
O primeiro álbum solo de Ney Matogrosso é uma obra de pura audácia. Lançado após a separação do Secos & Molhados, o disco traz uma sonoridade orgânica e experimental, marcada por percussões indígenas, sons da natureza e arranjos tribais.
Com a marcante faixa "Açúcar Candy" e releituras viscerais, Ney provou que sua força cênica e vocal continuava arrebatadora longe do grupo.
Bandido (1976)
Considerado um dos álbuns mais emblemáticos de sua fase inicial solo, Bandido define o mito performático de Ney Matogrosso.
Foi criado em torno do show de mesmo nome, onde o artista subia ao palco de maquiagem, maquiagem corporal e figurinos ousados.
O álbum traz grandes clássicos de seu repertório, como "Bandido Corazón" (composição de Rita Lee feita especialmente para ele) e "Mulheres de Atenas" (de Chico Buarque).
Pescador de Pérolas (1987)
Este disco marca um momento de virada e maturidade na carreira de Ney, revelando sua sofisticação interpretativa em um formato mais intimista.
Gravado ao vivo acompanhado por um quinteto acústico de cordas e sopros, Pescador de Pérolas exibe um cantor refinado, capaz de passear com elegância pelo tango, pela MPB clássica e pela música hispânica em canções como "O Pobre dos Dentes de Ouro" e "Dora".
BRUNO INÁCIO
Bruno Inácio é jornalista, colaborador da Tribuna de Ituverava, mestre em comunicação e autor de “Desprazeres existenciais em colapso” (Patuá), “Desemprego e outras heresias” (Sabiá Livros) e “De repente nenhum som” (Sabiá Livros).
É colaborador do Jornal Rascunho, do Le Monde Diplomatique e da São Paulo Review e tem textos publicados em veículos como Rolling Stone Brasil e Estado de Minas Gerais.



