
Com o lançamento do streaming Doc Canal Brasil (disponível via Prime Video e Globoplay), o acervo do audiovisual brasileiro ganhou uma vitrine exclusiva dedicada ao cinema de não ficção.
A plataforma reúne desde grandes clássicos restaurados até produções contemporâneas sobre música, política e sociedade.
Confira documentários fundamentais disponíveis no catálogo que traduzem a diversidade e a força do gênero no país.
Edifício Master
Dirigido por Eduardo Coutinho, uma das figuras centrais da história do documentário brasileiro, o longa é um retrato intimista da vida urbana.
Durante sete dias, a equipe de filmagem se instalou em um tradicional prédio de Copacabana, no Rio de Janeiro, entrevistando moradores de diferentes perfis.
O filme transforma depoimentos cotidianos sobre solidão, amor e sobrevivência em um painel profundo sobre a condição humana.
Nada Será Como Antes – A Música do Clube da Esquina
Sob a direção de Ana Rieper, a produção mergulha na criação do movimento musical que revolucionou a MPB nos anos 1970.
Com depoimentos e acervo de nomes como Milton Nascimento, Lô Borges e Beto Guedes, o documentário investiga como as paisagens de Minas Gerais, a amizade e as influências do jazz e do rock moldaram a sonoridade única do Clube da Esquina.
Santiago
Dirigido por João Moreira Salles, este aclamado documentário gira em torno das filmagens realizadas em 1992 sobre Santiago, o carismático mordomo que trabalhou por décadas para a família do diretor.
Guardadas por treze anos, as fitas foram retomadas pelo cineasta para construir uma reflexão poética sobre a memória, o tempo, a relação de poder entre documentarista e biografado e o próprio ato de fazer cinema.
Tropicália
Com direção de Marcelo Machado, o longa resgata a efervescência cultural do movimento tropicalista do final dos anos 1960.
Utilizando uma rica montagem de arquivo, registros de shows e entrevistas com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Os Mutantes e Tom Zé, o filme retrata como a mistura de ritmos populares, guitarras elétricas e arte de vanguarda desafiou o conservadorismo e a censura durante a ditadura militar.
Cinema Novo
Dirigido por Eryk Rocha — filho de Glauber Rocha —, o filme traça um painel poético e ensaístico sobre o movimento cinematográfico que mudou a história da arte no Brasil nas décadas de 1960 e 1970.
Conduzido unicamente por imagens das próprias obras e por trechos de áudio dos cineastas da época, o documentário analisa a busca por uma linguagem autêntica e engajada na representação da realidade social do país.
BRUNO INÁCIO
Bruno Inácio é jornalista, colaborador da Tribuna de Ituverava, mestre em comunicação e autor de “Desprazeres existenciais em colapso” (Patuá), “Desemprego e outras heresias” (Sabiá Livros) e “De repente nenhum som” (Sabiá Livros).
É colaborador do Jornal Rascunho, do Le Monde Diplomatique e da São Paulo Review e tem textos publicados em veículos como Rolling Stone Brasil e Estado de Minas Gerais.



