
A Polícia Civil vai investigar de que modo a dupla presa na quarta-feira (10) em Ribeirão Preto (SP) foi recrutada por integrantes de duas facções criminosas que agiam no Sul do país.
A ideia é descobrir quem são as pessoas diretamente acima do homem e da mulher suspeitos de lavar dinheiro do tráfico de drogas ao abrir contas bancárias de empresas de fachada.
“Vamos apurar quem são as pessoas que estavam acima deles e de que forma eles foram recrutados”, diz o delegado Diógenes Santiago Netto, da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise).
As prisões aconteceram ainda pela manhã, durante cumprimento de mandado de prisão expedido pela Justiça gaúcha. As investigações partiram do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público.
Segundo a Polícia Civil, a mulher foi encontrada em um sobrado no bairro Alexandre Balbo, na zona Norte de Ribeirão Preto. O homem estava em um hotel na Baixada, no Centro da cidade.
À tarde, os suspeitos passaram por audiência de custódia e foram colocados em liberdade provisória. Nenhum deles teve a identidade divulgada pela polícia.
A dupla deve responder pelo crime de lavagem de dinheiro, que é quando se encobre a origem de dinheiro ilegal por meio de ativos financeiros ou bens patrimoniais.
Empresas de fachada utilizadas para lavar dinheiro
Investigações iniciais apontam que o homem e a mulher movimentaram, juntos, cerca de R$ 600 mil.
Ainda segundo a polícia, na conta bancária da mulher foram movimentados R$ 190 mil em dois meses. Na do homem, foram R$ 385 mil em três dias.
O valor total apurado na Operação Squadrone supera os R$ 5 milhões. A suspeita é de que o montante seja proveniente do comércio ilegal de cocaína e crack.
Durante a ação, foram cumpridos 31 mandados de prisão, 43 de busca e 26 bloqueios de contas bancárias nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, além de investigações em Portugal.
Os investigados respondem por diversos delitos, incluindo tráfico de drogas, porte ilegal de armas de fogo e comércio irregular de munições e armas de fogo.
O esquema
As investigações começaram há mais de um ano, após a prisão em flagrante de um casal por tráfico de crack em Porto Alegre (RS).
Com a apuração, os agentes descobriram a existência de uma espécie de ‘consórcio’ e ‘aliança’ envolvendo dois dos principais grupos de narcotráfico do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.
Os criminosos destinavam o dinheiro do crime para contas de empresas de fachada no Paraná e em São Paulo, segundo a Polícia Civil.
Uma casa de câmbio em Santa Catarina, alvo de execução de mandado de busca, também recebia parte do valor.
Um dos alvos das diligências é apontado por ser responsável pela conexão entre os dois grupos que, em 15 dias, movimentaram mais de R$ 5 milhões de reais com a venda de cocaína e crack.
Durante as investigações, a polícia descobriu que um português, naturalizado brasileiro e investigado por tráfico, usava as redes sociais para comercializar drogas, financiando assim um estilo de vida luxuoso.
O investigado atualmente cumpre pena em uma cidade na Região do Vale, em Portugal.
Fonte: https://g1.globo.com/
