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A rebeldia de Paris: 5 ótimos filmes para conhecer a Nouvelle Vague

25 de maio de 2026 às 22:57
A rebeldia de Paris: 5 ótimos filmes para conhecer a Nouvelle Vague
Filme - Acossado

A Nouvelle Vague foi um dos movimentos mais revolucionários da história do cinema. Surgido na França no final dos anos 1950, esse grupo de jovens críticos que se tornaram diretores transformou o cinema tradicional.

Eles saíram dos estúdios fechados para filmar nas ruas de Paris, usaram câmeras na mão, luz natural, cortes abruptos de montagem (jump cuts) e diálogos improvisados.

Para quem quer mergulhar nesse movimento e entender como ele mudou a forma de fazer filmes no mundo inteiro, aqui estão 5 obras fundamentais:

Acossado (1960 - Jean-Luc Godard)

Se a Nouvelle Vague tivesse um cartão de visitas, seria este filme. Godard quebra praticamente todas as regras clássicas de Hollywood.

A história acompanha um jovem criminoso que idolatra Humphrey Bogart e tenta fugir com uma estudante americana por Paris. É um filme elétrico, cheio de cortes descompromissados e que exala a urgência e a rebeldia da juventude da época.

Os Incompreendidos (1959 - François Truffaut)

Enquanto Godard era a explosão e a experimentação, Truffaut trouxe a poesia e o coração para o movimento.

Este filme de estreia é amplamente autobiográfico e acompanha Antoine Doinet, um adolescente negligenciado pelos pais e pela escola que comete pequenos delitos em Paris.

A cena final do filme é uma das mais famosas, belas e copiadas da história do cinema mundial.

Cléo das 5 às 7 (1962 - Agnès Varda)

Agnès Varda, frequentemente chamada de a “mãe da Nouvelle Vague”, trouxe um olhar único, feminista e documental para o movimento.

O filme acompanha duas horas na vida de uma cantora pop francesa enquanto ela espera o resultado de um exame que dirá se ela tem câncer.

O grande trunfo aqui é o tempo: o filme acontece praticamente em tempo real, capturando a arquitetura, a moda e as angústias de Paris em 1962.

Hiroshima, Meu Amor (1959 - Alain Resnais)

Resnais fazia parte do grupo da “Margem Esquerda” (Rive Gauche), uma ala do movimento mais ligada à literatura e à política.

Com roteiro da escritora Marguerite Duras, o filme narra a intensa relação entre uma atriz francesa e um arquiteto japonês em Hiroshima, misturando os traumas da Segunda Guerra Mundial com a memória pessoal, a dor e o esquecimento. É uma obra poética, fragmentada e visualmente deslumbrante.

Uma mulher é uma mulher (1961 - Jean-Luc Godard)

Para fechar a lista com um tom mais leve, este filme é uma desconstrução colorida e musical das comédias românticas de Hollywood.

Estrelado por Anna Karina — a grande musa do movimento —, o longa brinca com as cores (focando fortemente no azul, branco e vermelho), quebra a quarta parede (os atores olham e piscam para a câmera) e ironiza as convenções do casamento e dos desejos femininos.

Bruno Inácio é jornalista, mestre em comunicação e autor de “Desprazeres existenciais em colapso” (Patuá), “Desemprego e outras heresias” (Sabiá Livros) e “De repente nenhum som” (Sabiá Livros).

É colaborador do Jornal Rascunho, do Le Monde Diplomatique e da São Paulo Review e tem textos publicados em veículos como Rolling Stone Brasil e Estado de Minas Gerais.

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