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Ituverava registrou ao longo deste ano 23 casos de dengue na microrregião

Ribeirão Preto, maior cidade da região, soma 270 casos da doença em 2026, enquanto Franca, segunda maior, tem 710

16 de junho de 2026 às 11:18
Ituverava registrou ao longo deste ano  23 casos de dengue na microrregião
Foto de arquivo mostra trabalho de combate à dengue realizado em Ituverava.

Dados divulgados pelo Painel de Arboviroses da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo mostram que Ituverava registrou 23 casos de dengue em 2026.

Em seguida vêm Miguelópolis (5), Aramina (4), Jeriquara (3), Igarapava (3), Rifaina (3) e Guará (2), Orlândia (1) e São Joaquim da Barra (1). Já Buritizal não registrou casos da doença neste ano.

Ribeirão Preto, maior cidade da região, soma 270 casos da doença em 2026, enquanto Franca, segunda maior, tem 710.

Em 2025, Ituverava regirou 319 casos de dengue em 2025. O número é o segundo maior da microrregião, atrás apenas de Orlândia, com 392.

Em seguida vêm São Joaquim da Barra (169), Igarapava (70), Miguelópolis (59), Aramina (21), Rifaina (20), Jeriquara (19), Guará (13) e Buritizal (11). Ribeirão Preto, maior cidade da região, registrou 21.678 casos de dengue ao longo do ano, enquanto Franca, segunda maior, registrou 5.397.

Painel arboviroses

Segundo o Painel de Arboviroses, Ituverava liderou no número de óbitos causados pela dengue em 2025 na microrregião, com três mortes. Em Orlândia, foi uma.

Em Ribeirão Preto foram confirmadas 13 mortes e em Franca, 4. O Estado de São Paulo registrou 860.490 casos de dengue em 2025 e 1.098 óbitos.

Órgãos acreditam que país terá 1,8 milhão de casos da doença no ano

De acordo com o Governo do Estado de São Paulo, até o dia 5 de fevereiro foram registrados mais de 4.640 casos de dengue e um óbito no território paulista.

Somente em 2025, foram confirmados 882.884 casos e 1.124 óbitos no estado, o que reforça o alerta para o avanço da doença na região.

O cenário local acompanha uma tendência nacional.

Um estudo divulgado pelo projeto internacional IMDC (InfoDengue-Mosqlimate Dengue Challenge), em parceria com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e a FGV (Fundação Getúlio Vargas), estima que o país possa registrar 1,8 milhão de casos de dengue em 2026.

Desse total, 54% das incidências devem se dar no Estado de São Paulo e 10% em Minas Gerais.

A projeção indica uma leve alta em relação a 2025, quando houve 1,7 milhão de casos prováveis da doença, segundo o Ministério da Saúde.

Preocupação

No panorama global, a dengue também preocupa. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 100 e 400 milhões de pessoas podem ser infectadas todos os anos.

A dengue é uma das doenças transmitidas por mosquitos mais comuns no mundo e nos últimos anos tem avançado para novas regiões fora das áreas tropicais, incluindo partes da Europa e do Mediterrâneo Oriental.

Diante desse cenário, para Juliana Damieli, pesquisadora de desenvolvimento de produto e mercado Latam da BASF Soluções para a Agricultura, a expansão da doença está relacionada a uma combinação de fatores, como mudanças climáticas, aumento das temperaturas, chuvas intensas e fragilidade dos sistemas de saúde.

“A maior parte dos criadouros do Aedes aegypti está no ambiente domiciliar. Por isso, inspeções frequentes e a eliminação de água acumulada são medidas decisivas”, afirma.

Fases do mosquito

A especialista detalha que o mosquito passa por quatro fases de desenvolvimento: ovo, larva, pupa e adulto.

“Ovo, larva e pupa ocorrem exclusivamente em água”.

“Já o adulto é o responsável por transmitir vírus como dengue, zika e chikungunya. Apenas as fêmeas se alimentam do sangue, pois precisam dele para desenvolver os ovos e depois depositá-los”.

Por isso, o controle mais eficaz acontece antes da fase adulta.“Eliminar recipientes com água parada é a principal forma de interromper o ciclo e reduzir a transmissão”, reforça.

Juliana destaca que a transmissão também depende das condições ambientais. Temperaturas mais altas aceleram o desenvolvimento do mosquito; alta umidade favorece a sobrevivência das fêmeas; e períodos chuvosos aumentam a oferta de criadouros.

“Além disso, os ovos do Aedes aegypti são resistentes à dessecação e podem permanecer viáveis por meses em ambiente seco, eclodindo quando voltam a ter contato com água. Isso ajuda a explicar a persistência do vetor mesmo fora dos períodos mais chuvosos”.

Ambiente humano

A proximidade do mosquito com o ambiente humano (domicílio e peridomicílio) também dificulta o controle baseado apenas em ações externas, já que há abrigo, acesso a hospedeiros e muitos criadouros artificiais.

“Urbanização desordenada e manejo inadequado de resíduos aumentam o risco ao criar microambientes favoráveis ao mosquito”, acrescenta.

Entre os pontos que costumam passar despercebidos dentro de casa, a especialista chama atenção para ralos pouco utilizados, comuns em banheiros externos, lavanderias e áreas de serviço.

“A água retida na caixa sifonada pode favorecer o desenvolvimento de larvas. Como medida prática, a aplicação semanal de sal nesses ralos ajuda a reduzir a sobrevivência das larvas e interromper o ciclo do inseto”, orienta Juliana Damieli.

Ela também ressalta que plantas como bromélias e bambus podem acumular água, mas tendem a ter menor relevância epidemiológica do que criadouros artificiais.

Já plantas aromáticas, como citronela, manjericão e lavanda, podem contribuir como repelentes naturais em ambientes internos e pouco ventilados, mas não eliminam o mosquito nem substituem as medidas de controle.

Especialista dá dicas de cuidados práticos para o dia a dia em casa

Juliana Damieli, pesquisadora de desenvolvimento de produto e mercado Latam da BASF Soluções para a Agricultura, esclarece que pequenas atitudes no dia a dia fazem diferença na prevenção da dengue e outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

Entre as principais recomendações estão: eliminar qualquer acúmulo de água em recipientes, mesmo pequenos; manter caixas d’água, tonéis e reservatórios totalmente vedados; lavar com água e sabão bebedouros de animais, bandejas de refrigeradores e ralos pouco utilizados e aplicar semanalmente sal nos ralos pouco utilizados.

Outros cuidados incluem manter calhas limpas e desobstruídas; armazenar garrafas vazias com a abertura voltada para baixo; descartar corretamente materiais que possam acumular água; manter áreas externas livres de resíduos e objetos sem função e preencher pratos de plantas com areia até a borda.

Resistência

Ela ainda faz o alerta para o risco de resistência do mosquito aos inseticidas, especialmente quando há uso repetido dos mesmos produtos.

Segundo ela, o mosquito pode desenvolver resistência rapidamente aos métodos tradicionais de controle quando exposto continuamente aos mesmos princípios ativos.

“O combate à dengue precisa combinar manejo ambiental, educação da população, vigilância entomológica e melhorias estruturais.

A soma dessas ações reduz de forma mais sustentável a densidade do vetor e ajuda a prevenir surtos”, finaliza a pesquisadora da BASF Soluções para a Agricultura.

Vacinação contra a dengue


Como estratégia complementar de prevenção, a vacinação também surge como uma ferramenta importante para reduzir o impacto da doença.

Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina é a primeira do mundo aplicada em dose única e que induz proteção contra os quatro sorotipos da dengue.

O imunizante, a Butantan-DV, foi aprovado pela Anvisa para pessoas de 12 a 59 anos. Os estudos apontaram eficácia de quase 75% contra casos gerais da doença, mais de 91% contra casos graves e 100% contra hospitalizações.

A imunização abrangerá nesse primeiro momento as equipes multiprofissionais de unidades básicas de saúde, incluindo agentes comunitários, enfermeiros, médicos e demais profissionais cadastrados.

Casos de dengue na região em 2026

Ituverava: 23

Miguelópolis: 5

Aramina: 4

Igarapava: 3

Jeriquara: 3

Rifaina: 3

Guará: 2

Orlândia: 1

São Joaquim da Barra: 1

Buritizal: 0

Cidades maiores

Ribeirão Preto: 270

Franca: 710

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