
No domingo, dia 19 de julho, o mundo assistiu à seleção espanhola alcançar o topo do futebol mundial mais uma vez. Com um gol de Ferran Torres na prorrogação contra a Argentina, a Espanha conquistou o título da Copa do Mundo de 2026.
Mas o talento espanhol não se restringe aos gramados. Há décadas, o cinema do país é uma potência global, entregando obras-primas que misturam suspense milimétrico, paixões avassaladoras e muita criatividade.
Se você quer continuar no clima dessa celebração cultural, confira 5 ótimos filmes espanhóis que merecem um lugar de destaque na sua lista.
Tudo Sobre Minha Mãe
Não dá para falar de cinema espanhol sem citar o mestre Pedro Almodóvar. Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, este longa é uma celebração da força feminina, da dor e do afeto.
Após a trágica morte de seu filho adolescente, Manuela viaja a Barcelona em busca do pai do jovem, que agora vive como uma mulher trans chamada Lola. No caminho, ela cruza a vida de uma série de personagens fascinantes.
O filme traduz perfeitamente a estética colorida, dramática e profundamente humana de Almodóvar. É uma montanha-russa emocional inesquecível.
O Labirinto do Fauno
Embora dirigido pelo mexicano Guillermo del Toro, o filme é uma coprodução espanhola ambientada no período pós-Guerra Civil Espanhola e traz a essência do realismo fantástico do país.
Em 1944, a jovem Ofelia e sua mãe grávida vão morar com seu novo e cruel padrinho, um capitão fascista.
Para escapar do horror real, Ofelia descobre um labirinto antigo e um fauno misterioso que lhe propõe três missões perigosas.
É uma obra visualmente impecável e poética, que usa a fantasia para retratar a brutalidade do autoritarismo real.
Um Contratempo
Se o seu negócio é aquele suspense de roer as unhas, com reviravoltas que ninguém consegue prever, o diretor Oriol Paulo entrega aqui uma das maiores joias modernas do gênero.
Um jovem empresário de sucesso acorda em um quarto de hotel trancado por dentro, ao lado do corpo sem vida de sua amante.
Ele contrata uma advogada de prestígio para montar sua defesa em menos de três horas, revelando segredos obscuros a cada minuto.
O roteiro é um quebra-cabeça brilhante e milimétrico. Você vai passar o filme inteiro tentando adivinhar o final e, muito provavelmente, vai errar.
Mar Adentro
Dirigido por Alejandro Amenábar e estrelado por um brilhante Javier Bardem, este drama biográfico tocou corações no mundo todo e levou o Oscar para a Espanha.
O filme narra a história real de Ramón Sampedro, um homem que ficou tetraplégico após um acidente na juventude e travou uma batalha judicial de quase trinta anos pelo direito de encerrar a própria vida com dignidade.
Longe de ser apenas um filme triste, é uma reflexão poética e afetuosa sobre o amor, a liberdade de escolha e o valor da vida.
O Poço
Para quem prefere uma distopia visceral com forte crítica social, este filme dirigido por Galder Gaztelu-Urrutia tornou-se um fenômeno global ao misturar ficção científica e suspense psicológico.
Em uma prisão futurista estruturada de forma vertical, os detentos são alimentados por uma plataforma cheia de comida que desce andar por andar. Quem está nos níveis superiores come banquetes grandiosos; quem está embaixo, passa fome.
É uma metáfora crua, desconfortável e muito inteligente sobre o egoísmo humano e a desigualdade socioeconômica.
BRUNO INÁCIO
Bruno Inácio é jornalista, colaborador da Tribuna de Ituverava, mestre em comunicação e autor de “Desprazeres existenciais em colapso” (Patuá), “Desemprego e outras heresias” (Sabiá Livros) e “De repente nenhum som” (Sabiá Livros).
É colaborador do Jornal Rascunho, do Le Monde Diplomatique e da São Paulo Review e tem textos publicados em veículos como Rolling Stone Brasil e Estado de Minas Gerais.



