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Agosto Laranja chama atenção para os desafios e avanços no cuidado com a Esclerose Múltipla

Estima-se que 40 mil brasileiros vivam com EM, dentro de um universo global de 2,8 milhões de pessoas

31 de julho de 2026 às 18:02
Agosto Laranja chama atenção para os desafios  e avanços no cuidado com a Esclerose Múltipla
A ressonância magnética é um dos principais exames utilizados para o diagnóstico e acompanhamento da esclerose múltipla

Agosto veste‑se de laranja para mobilizar o país em torno da conscientização sobre a Esclerose Múltipla (EM).

Criado pela organização não governamental Amigos Múltiplos pela Esclerose (AME), o movimento Agosto Laranja busca derrubar mitos, ampliar o acesso à informação e garantir acolhimento a quem convive com a doença, seus familiares e cuidadores.

A EM é a doença autoimune, do sistema nervoso central, que mais acomete jovens adultos no mundo inteiro1.

Seus sintomas variam de pessoa para pessoa, mas costumam incluir fadiga intensa, alterações visuais, dificuldades motoras e cognitivas, entre outros sinais que impactam diretamente a qualidade de vida.

Embora ainda não haja cura, os tratamentos aprovados para a doença visam a melhora clínica e aumento da capacidade funcional ao reduzir a ocorrência dos surtos ao longo dos anos.

Estima-se que 40 mil brasileiros vivam com EM, dentro de um universo global de 2,8 milhões de pessoas. Usualmente acomete pessoas dos 20 aos 50 anos de idade e, em média, é duas vezes mais frequente em mulheres.

Mesmo assim, a desinformação e o estigma ainda atrasam o diagnóstico e dificultam o acesso ao tratamento.

Sintomas da esclerose múltipla

As pessoas acometidas pela esclerose múltipla apresentam surtos ou ataques agudos, que podem ser revertidos espontaneamente ou com o uso de medicamentos.

Os sintomas mais comuns são perda visual (neurite óptica), diminuição ou perda de movimentos dos membros (paresia), sensação de dormência ou formigamento (parestesia), disfunções da coordenação e do equilíbrio, inflamação da medula espinhal (mielite), além de alterações cognitivas e comportamentais.

Os pacientes podem apresentar, ainda, alterações ligadas à fala e deglutição, fadiga e problemas no trato urinário e digestivo.

Causas são desconhecidas

Um dos desafios do estudo da esclerose múltipla é definir a causa da doença. Até o momento, a ciência não tem uma resposta sobre o que leva à deterioração da bainha de mielina.

As hipóteses consideram que a ação contra os tecidos do sistema nervoso seja induzida pelo próprio sistema imunológico, de acordo com a predisposição genética.

O vírus Epstein-Barr é considerado um importante fator de risco para o desenvolvimento da esclerose múltipla, especialmente quando a infecção ocorre durante a adolescência.

Transmitido principalmente pela saliva, ele é o agente causador da mononucleose infecciosa, popularmente conhecida como “doença do beijo”.

De acordo com estudos, parte da estrutura do vírus apresenta semelhanças com componentes da mielina, substância que reveste as fibras nervosas.

Em pessoas com predisposição genética, o sistema imunológico, ao combater o vírus, pode passar a atacar também a mielina do sistema nervoso central, desencadeando o processo inflamatório característico da esclerose múltipla.

Como o desenvolvimento da doença depende da interação entre fatores genéticos e ambientais, não há formas conhecidas de prevenção específica para a doença.

As diferentes manifestações clínicas

Os tipos de esclerose múltipla são definidos de acordo com a evolução clínica de cada paciente, que pode se manifestar de diferentes formas. A mais comum é a forma remitente-recorrente (EM-RR), que corresponde a cerca de 85% dos casos.

Os pacientes apresentam surtos bem definidos, com sintomas clínicos que podem durar dias ou semanas e desaparecem. A recuperação geralmente é completa e sem sequelas.

Já as formas progressivas, que podem ser divididas em primária (EM-PP) ou secundária (EM-SP), concentram de 10 a 15% dos casos.

A primária-progressiva apresenta início lento e piora constante dos sintomas. Os déficits e as incapacidades, que se acumulam ao longo do tempo, podem estabilizar ou continuar por anos.

A forma secundária, por sua vez, é uma evolução natural da remitente-recorrente, seguida pelo desenvolvimento de uma incapacidade progressiva que pode apresentar mais surtos.

Diagnóstico

O diagnóstico pode ser feito a partir da investigação do histórico do paciente e de exames físicos.

A confirmação é realizada por meio de exames de ressonância magnética do crânio e da coluna, com foco no encéfalo (parte do sistema nervoso localizada no interior do crânio) e na medula, além de exames laboratoriais que permitem descartar outras doenças que apresentam sintomas semelhantes.

Em casos de dúvidas, pode ser realizado, ainda, o exame do líquor, o líquido produzido no interior do cérebro com a função de proteger o sistema nervoso central.

Doença não tem cura

A esclerose múltipla não tem cura. Em geral, o tratamento atua no sistema imunológico, com o intuito de reduzir a inflamação do sistema nervoso central.

A medicação tem como objetivo promover a melhoria dos sintomas, reduzir a frequência e a gravidade das recorrências e diminuir o número de internações.

O tratamento pode ser realizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A rede pública oferece procedimentos clínicos e de reabilitação para a doença, além de medicamentos específicos.

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